Na manhã desta quinta-feira (02), visitando escolas municipais que compõe a rede de Educação no Campo de Imperatriz deparei-me com paisagens maravilhosas, mas algo especificamente chamou-me a atenção.
Eu e a equipe do Departamento de Educação no Campo deixamos a sede da Secretaria Municipal de Educação um pouco antes das 9h e seguimos em direção à BR-010. Visitamos as escolas Coelho Neto (Povoado Mãozinha), Chaparral (Fazenda Chaparral), João Gonçalves Santiago (Km 1200) e Bernardo Sayão (Riacho do Meio).
Chegando à Escola Municipal João Gonçalves Santiago, às margens do KM 1200, conheci Luizinho, sentado na primeira fileira de uma das salas da escola esforçava-se com cadernos, livros e lápis, tentando a todo custo compreender e aprender o tão sonhado “mundo das letras”. Luizinho tem por volta de seis ou sete anos, digo por volta porque ele não tem registro de nascimento e nenhum documento que ateste sua existência.
Filho de mãe solteira e com sete irmãos, mora sozinho com sua mãe e não conhece seus irmãos. A professora de Luizinho nos explicava enquanto conhecíamos o garoto que desde agosto ele freqüenta a escola, quando teve seu primeiro contato com a educação formal. As condições de vida de Luizinho não são favoráveis ao seu crescimento educacional; mas ele luta contra as adversidades e todos os dias esta presente nas aulas. Filho de mão analfabeta e que também não possui registro de nascimento, Luzinho busca entre números e letras, mudar sua história de vida.
Este é o reflexo de um Brasil grande em extensão e riquezas naturais, mas rico em intensas disparidades sociais.
Educação no Campo no Brasil:
Dados fornecidos pelo Ministério da Educação (MEC) demonstram que com uma taxa de atendimento de 96,4% para a população de 7 a 14 e uma taxa de escolarização para o ensino fundamental de 94,3%, o acesso, em termos nacionais, para essa faixa etária, encontra-se bastante próximo da universalização. Percebemos assim, que muitos dos “luizinhos” em todo o Brasil hoje têm mais oportunidades e acesso à educação do que seus pais, por exemplo.
As reflexões propostas pelo MEC a cerca da Educação no Campo fundamenta-se tanto no campo prático, quanto no campo teórico e, se posicionam em favor de dois aspectos: a superação da dicotomia entre rural e urbano e relações de pertença diferenciados e abertos para o mundo.
Dessa maneira, segundo o Ministério da Educação, “Ao lutar pelo direito à terra e pela educação, os sujeitos vão recriando as suas pertenças, reconstruindo a sua identidade com a terra e com a sua comunidade. Isso é um demarcador de diferença entre campo e cidade, sem serem excludentes, porque os sentimentos dos que vivem na e da terra com todo o ecossistema não são os mesmos para os que vivem na cidade.Por isso, a Educação do Campo; porque o papel do lugar é determinante como dizia o mestre Milton Santos (2001), “o lugar não é apenas um quadro de vida, mas um espaço vivido, isto é, de experiência sempre renovada, o que permite, ao mesmo tempo, a reavaliação das heranças e a indagação sobre o presente e o futuro”.
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