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Heróis nacionais: uma construção

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Cícero Romão Batista (Padre Cícero), Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), Luís Carlos Prestes, Zumbi dos Palmares, João Cândido (da Revolta da Chibata), Francisco Alves Mendes Filho (Chico Mendes), Manuel Beckman (Revolta de Beckman), Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), Maurício de Nassau, Duque de Caxias e Giuseppe Garibaldi; você os conhece? Estes são alguns dos inúmeros heróis nacionais.

Heróis representam idéias ou valores de uma época e determinada sociedade; eles contribuem para a valorização e perpetuação de determinado sistema.

A construção de um herói é um processo político e histórico. Eles afirmam determinada tradição com o objetivo de manter a unidade de um grupo social. Pois a continuidade do passado na memória coletiva e no presente da sociedade necessita de suportes que podem ser materiais ou simbólicos.

Para legitimação dos sistemas políticos é comum a utilização do culto aos heróis. De acordo com José Murilo de Carvalho, “não há regime que não promova o culto de seus heróis e não possua seu panteão cívico”. A construção do herói não é, porém, arbitrária. Sempre há influência dos governos, mídia e a identificação do povo com o herói ou símbolo nacional.

 O herói divulgado na República:

Veja o exemplo de Tiradentes, enquanto tentavam exaltar a imagem do Marechal Deodoro, de Benjamim Constant e Floriano Peixoto na República; Tiradentes começava a aparecer na literatura e nas artes. O poeta Castro Alves intitulou o inconfidente como “o Cristo da multidão”, pois as imagens construídas e perpetuadas de Joaquim José da Silva Xavier era de um homem com características que o aproximavam de Jesus Cristo: o cabelo, as roupas e o formato do rosto.

A simpatia que Tiradentes demonstrou pela república e a memória do seu martírio, o tornaram herói daquele momento político. Assim, “Em 1965 quando o país estava novamente sob o regime militar, Tiradentes foi proclamado patrono cívico da nação brasileira. O mesmo governo também decretou que todas as repartições públicas do país afixassem o retrato do inconfidente, o que era impensável no Império, quando se aclamava D. Pedro I como herói da Independência”, afirma a Revista de História da Biblioteca Nacional de novembro de 2010.

Hoje, os estudos em História vislumbram novas formas de reconstruir o passado, valorizando as minorias e o cotidiano como forma de deixar o passado vivo e atuante na memória coletiva. Dessa forma, o herói mártir que dá sua vida por uma causa se torna cada dia mais distante da realidade dos fatos. As pessoas se identificam com os “heróis” que batalham dia-a-dia em suas vidas comuns, sem grandes feitos, apenas sobrevivendo na maior das batalhas, o cotidiano.

 Os nossos heróis:

Quando perguntada sobre qual herói nacional está mais vivo em sua lembrança e porque, a estudante secundarista Andréa Fernandes de Sousa, 16 anos, residente em Araguaina (TO) afirma: “Tiradentes, porque ele era dentista e meio que deixou a profissão de lado para lutar pelo direito dos outros e acabou sendo enforcado”.

E, ao ser questionada se há algum herói em seu dia-a-dia, Andrea afirma com convicção: “Minha mãe, ela já sofreu muito e só agora entendo tudo que ela passou, mas nunca desistiu da família e dos seus ideais, se fosse eu tinha desistido”.

Andréa esclareceu ainda que não quer ser igual a um herói, pois eles “querem ajudar e salvar sempre todo mundo, e eu quero ter apenas uma vida normal, eu penso em ajudar os outros, mas quero cuidar da minha vida também”.

Para o estudante Pedro Arthur Silva Figueiredo, 18 anos, o herói presente na sua memória é o Frei Caneca. “Acho que Frei Caneca é mais presente nas minhas lembranças, gosto dele pela sua história no movimento em Pernambuco e sua prisão na Bahia, além de ter sido frei era também jornalista”.

Assim, cada grupo social tem os heróis que se aproximam daquilo que acreditam, de seus ideais e convicções religiosas, mas percebe-se a forte influência da História Tradicional no apontamento dos heróis e suas causas.

A educação formal ainda se baseia na concepção tradicional da história, onde há a necessidade dos heróis e onde pequenos grupos sociais não têm valorização dentro dos livros didáticos. Dessa forma, é público a forte valorização da história dos povos europeus em detrimento dos povos indígenas, africanos e até mesmo da História Nacional. É repensando a maneira de fazer educação que a sociedade e os heróis do dia-a-dia serão valorizados.

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