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Purpurina dá ibope: estereótipos homossexuais em novelas globais

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Por: James Pimentel


Choquei! Quem não se lembra da expressão de Cássio, personagem de Marco Pigossi, na novela Caras e Bocas? Foi o marco da homossexualidade estereotipada na mídia, e, mesmo assim, obteve uma ótima recepção do público. Cássio era um jovem descolado e divertido; ficou conhecido por seu jeito espalhafatoso com inúmeros trejeitos femininos - a famosa “bichona”. Afinal, isso é ser gay?

 

Segundo estudos do pesquisador Luís Eduardo Peret, mais de 38 telenovelas globais já mencionaram, de alguma forma, a homossexualidade em seus personagens. Ao longo do tempo, levando em consideração o período histórico e a política social da época, vários outros estereótipos surgiram para caracterizar homossexuais.

 

De acordo com a sua pesquisa, o caso pioneiro dessa temática na mídia foi em 1974, na novela O Rubi, onde Conrad Mahler (Ziembonski) tinha uma relação com o Michê Cauê (Buza Ferraz) e assassina a mulher por quem o namorado se apaixona. Nesse primeiro momento, a globo retratou o homossexual como o criminoso causador de problemas. Já nas novelas Pai heróiRoque SanteiroTi-ti-tiRenascer,Uga ugaUm anjo caiu do céu, ser gay era somente um disfarce para héteros conseguirem algum tipo de benefício.

 

Ainda na década de 70, nas novelas Dancin´daysMarron-glacéOs gigantes surgiram os primeiros personagens completamente efeminados, sendo essa última, a pioneira a retratar o romance lésbico. A partir da década de 80 os personagens gays conseguiram destaque principal nas tramas.  Em 2007 a novela Paraíso Tropical “lança” um novo estereótipo: gay para ser gay deveria entender de arte, vestir-se bem, ser culto, além da boa aparência e uma ótima condição financeira.

 

Em 2011, a globo dá um pequeno drible nessa moda de estereótipos. Jorge Fernando, diretor da regravação da novela Ti-ti-ti, fez do personagem Julinho, interpretado por André Arteche, uma pessoa normal como qualquer outra: se apaixona, chora, abraça, tem amigos... Ser gay era só um detalhe na vida dele.

 

Em um relatório divulgado pela GGB (Grupo Gay da Bahia), 198 pessoas foram mortas em atos homofóbicos no ano de 2009, e esse número vem só aumentado. “A cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil e precisamos dar um basta nesta situação”, afirmou Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

 

Não existem dados que comprovem, mas boa parte desses homicídios ocorre pela ignorância da sociedade que tem o gay como uma figura esdrúxula, digna de repúdio. Há quem afirme que a televisão é a maior influenciadora da massa e, enquanto a figura do gay estiver deturpada nesse veículo, esses crimes só têm a tendência de aumentar. Purpurina dá ibope nas novelas; em delegacias de polícia também.

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