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“Ele não me bate, mas…”: Saiba como reconhecer um relacionamento abusivo

“Ele não me bate, mas…”: Saiba como reconhecer um relacionamento abusivo

Três em cada cinco mulheres já sofreram algum tipo de violência

 

Texto: Aline Castro e Eugênia Nascimento

“Eu não podia ir maquiada para o cursinho, porque – se eu fosse maquiada – significaria que eu não iria para estudar… Que eu iria para chamar atenção de alguém. As brigas eram constantes. Tem muitas coisas que eu prefiro esquecer. Tem coisas que não dão. Aquela guerrinha psicológica… O olhar de desprezo… Nos últimos 7 meses do meu namoro, eu vivi com medo de fazer alguma coisa e chatear ele”, conta F.S, que prefere não se identificar.

Questionário da ONU ajuda a identificar sinais de um relacionamento abusivo. Fonte: Cartilha de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres (ONU, 2016)

Segundo as Organizações das Nações Unidas (ONU), 60% das mulheres já foram vítimas de um relacionamento abusivo, mas nem sempre é fácil reconhecer quando alguém está passando por uma situação assim. Campanhas nas redes sociais como #TambémÉViolência e #NãoéAmorQuando  buscam alertar para sinais de  violência que muitas vezes passam despercebidos.

F.S conta que durante três anos viveu um relacionamento em que sofria constantes humilhações. Ela foi traída, xingada, não podia sair, nem ter amigos. Era acusada de traição e o namorado ainda tentava obrigá-la a ter relações sexuais sem consentimento.  “Quando você em um relacionamento abusivo, você nunca pensa ‘ em um relacionamento abusivo, cara!’ Você tem aquela sensação ruim, falta de ar, se sente angustiada, acaba desenvolvendo alguns distúrbios que não tinha antes. Eu fiquei com a auto-estima baixa, depressiva, ansiosa, sem amigos. Quando você fica desse jeito, você não percebe que é por causa do relacionamento. Ele ficava me menosprezando, eu não podia ter opinião, eu não podia ir contra os ideais dele, não podia beber, não podia ir para festa”, desabafa F.S.

A Lei Maria da Penha identifica cinco tipos de violência contra a mulher. São eles: a física, a psicológica, a patrimonial, a sexual e a moral. Luzimar Mourão, assistente social, explica que “muitas vezes quando a mulher não é agredida fisicamente ou sexualmente, ela não percebe a agressão psicológica e moral”. Luzimar também alerta para o fato de um relacionamento abusivo ser uma “porta” para a violência física.

Em Imperatriz, 363 boletins de ocorrência foram registrados na Delegacia Especializada da Mulher no primeiro semestre de 2017; 48 referentes aos crimes de injúria, difamação e calúnia.  “Quando a gente percebe esse tipo de violência mais velada, a gente encaminha para o CRAM, para que elas tenham acesso a um psicólogo e ao acompanhamento, para empoderar essa mulher” diz Mônica Aragão, escrivã da Delegacia Especializada da Mulher.

Dayse Chaves, psicóloga, explica que o relacionamento abusivo está diretamente relacionado à violência psicológica e pode ser identificado através de ameaças e da coerção da liberdade. Envolve também a violência moral e patrimonial.  “A vítima é privada do direito de ser quem ela é, de conviver com a família, de usar a roupa que ela quer, de frequentar os lugares que ela costuma frequentar, de trabalhar, de estudar… Quando a pessoa passa a não se reconhecer por causa do relacionamento e percebe que vida mudou totalmente, de forma que ela se sente triste, ameaçada, depressiva e/ou coagida, é necessário prestar atenção, porque isso não é mais um relacionamento saudável”, alerta Dayse

Um dos folders da campanha #Tambéméviolência. Fonte: ONG Artemis

Dayse comenta que muitas mulheres sentem vergonha de falar sobre a situação, por medo de comentários como: “você que escolheu estar com um cara desse jeito” ou “ nessa situação porque quer”.  Ela também explica sobre a importância do apoio às vítimas por parte de familiares e amigos. “É importante que eles falem e demonstrem que, a partir do momento em que ela decidir sair dessa situação, eles estarão disponíveis para ajudar. Que elas podem contar com eles, porque – se ela sofre sozinha – acaba sendo mais difícil dela conseguir sair dessa situação.”

Imperatriz conta com uma rede de enfrentamento, que possui mais de 10 órgãos empenhados em atender mulheres vítimas de violência. Se você conhece alguém ou está em uma situação de violência não se cale! Denuncie.

 

 

 

Onde procurar ajuda? Confira locais, em Imperatriz, que fazem parte da rede de enfrentamento à violência contra mulher.

 

Secretaria Municipal de Políticas para Mulher- SMPM
Rua Rafael de Almeida, 600 – Bairro São Salvador Fone: (99) 99123-4638/ 99904-7346

Centro de Referência de em Atendimento à Mulher- CRAM
Rua Sousa Lima, 54- Centro (entre as ruas Rui Barbosa e Urbano Santos)  Fone: (99) 99193-1717

Delegacia Especializada da Mulher – DEM
Rua Sousa Lima, s/n, Centro – Fone: (99) 3525-1545

Vara da Violência Familiar e Doméstica Contra a Mulher
Rua Frei Manoel Procópio, 51- Beira Rio – Fone (99) 3525-4689

Promotoria Especializada da Mulher
Av. Perimetral José Felipe do Nascimento, Qd. 21, Residencial Kubitschek

Defensoria Pública Estadual
Av. Getúlio Vargas, 1.587- Centro – Fone: (99) 3231-0958 / (99) 3526-3792

Ronda Domiciliar
Rua LeôncioPires Dourado, s/n – Bacuri- Fone: (99) 99197-0523

Centro de Referência da Assistência Social- CRAS
Rua Hermes da Fonseca, 49 –  Centro – Fone: (99) 3524- 2359 (SEDES)

Centro de Referência Especializado da Assistência Social- CREAS
Rua Hermes da Fonseca, 1204 – Juçara – Fone (99) 99200-0835

Política de Atenção Integral da Saúde da Mulher – PAISM
Rua Itamar Guará,  s/n- Jardim Três Poderes- Fone (99) 98823-3179

Hospital Municipal de Imperatriz – HMI (Socorrão)
Rua Benedito Leite, 668 – Centro – Fone: 3524-9876

Instituto Médico Legal – IML
Av. Vitória, s/n – Conj. Vitória (BR 010) – Fone: (99) 3582-8957

 

 

 

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