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Muito além do preço, gourmet é sinônimo de qualidade

Muito além do preço, gourmet é sinônimo de qualidade

Alimentos tradicionais das regiões podem ser oferecidos com nova estética e misturando sabores

Repórteres: Quezia Alencar e Sarah Dantas

 

Um mercado que cresce em Imperatriz é a culinária gourmet. Atualmente, podemos encontrar em diversos cantos da cidade um ponto de venda de comida com uma proposta diferente. A forma como a culinária tradicional se apresenta parece que tem se modificado.  A palavra gourmet é de origem francesa e está associada a uma ideia de “alta cozinha”, contudo, não está necessariamente ligada somente ao produto caro, mas também, à qualidade, à criatividade, e à preparação de um prato.

Marcelo Sousa, autônomo, é vendedor de geladinho gourmet. Começou vendendo tortas gourmet na praça Meire de Pinho, situada em Imperatriz, e, por intervenção da prefeitura, teve que se adaptar a um outro ambiente. Há dois meses, ele se encontra em frente a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, a UEMASUL. Sem deixar de ousar, Marcelo montou na própria bicicleta a estrutura realizar as vendas. “A ideia foi de montar a food bike. No início, vendíamos apenas as tortas oferecendo nos restaurantes e nas lojas. Mas o principal objetivo era ter um ponto de referência”, conta.

O gourmet se caracteriza pela forma de como o produto é vendido, chamando a atenção das pessoas.

Até mesmo para investir em um projeto dessa natureza, é preciso ter objetivo e planejamento, para que os planos sejam atingidos. Marcelo defende a ideia de que, “a aparência não é tudo, mas é 70% da tua pré-venda. Entretanto, não adianta você ter uma estrutura impecável e ter um atendimento e um produto ruim. Então, você tem que aliar tudo! E antes de começar tivemos dois meses de preparação. Desde o projeto da bicicleta, da compra dos equipamentos e da montagem, e ainda não está pronta”.

Mas essa venda diferenciada é indicativo de que o produto é gourmet? A cozinheira e instrutora dos cursos de copeiro e auxiliar de cozinha, Márcia Sousa, explica que o gourmet é associado aos ingredientes nobres, uma releitura do tradicional usando produtos de qualidade, que por muitas vezes acabam sendo caros. “A gourmetização virou uma estratégia de marketing, eu posso vender geladinho, tapioca, pipoca, entre outros. O importante é conter ingredientes diferenciados, que se destaquem”. Ela ressalva que o modo como o produto é oferecido também tem que chamar atenção.

Os vendedores apostam também em oferecer um bom atendimento.

Mais ou menos na mesma proposta, Rogéria Borges, autônoma, também é vendedora de geladinho gourmet, no entanto, o nome que ela dá ao seu produto é sacolé. Ela explica: “coloquei um nome diferente porque aqui as pessoas não conhecem por sacolé, fui para o Rio de Janeiro e lá conheci o produto. Tentei diferenciar também os sabores, que adaptei para a nossa região”. É justamente isso. Rogéria entende que o seu produto é gourmet porque apresenta-se com um estilo mais elaborado.  O sacolé é feito com 4 tipos de leite: integral, leite condensado, em pó e creme de leite.

“Tenho tentado colocar os sabores de acordo com a nossa região. Por exemplo, os dois mais novos que criei foram os de tapioca. O só de tapioca e o de tapioca com creme de avelã. Também uso os ingredientes frescos, como o morango, a tapioca e o maracujá. Não tenho nada em pó ou industrializado”, reitera a vendedora, para atestar a qualidade.

Antes de vender, ela afirma que pesquisou o que era gourmet, e – hoje – quando seus clientes não sabem dessa diferenciação, ela faz questão de explicar e até mostra fotos dos ingredientes novos e requintados que fazem parte das suas receitas gourmetizadas.

Maria Regina conta que alguns ingredientes são buscados fora da cidade, como a manteiga de garrafa.

Em outro ramo, tem a história da dentista Maria Regina, proprietária da Oxente Cuscuzeria. Ela oferece o cuscuz, que é comum na região Nordeste, de uma forma diferente para os consumidores. Para ela, o objetivo maior é trazer o tradicional, enraizado na cultura nordestina, seja nos pratos, no estabelecimento e/ou no atendimento. No entanto, a forma como foi pensado e disposto o cardápio e a variedade de ingredientes que complementam o prato do cuscuz já o faz se inserir na categoria gourmet.

Maria Regina explica que quis apresentar algo que ainda não existia na cidade, uma coisa que chamasse atenção dos clientes e que enchesse os olhos deles. “A gente acabou incrementando algumas coisas, que deixou com uma característica mais gourmet, só que eu não quis que perdesse essa característica bem regional, daqueles produtos típicos, como a manteiga de garrafa”, revela.

Em cada um desses produtos apresentados, inseridos nesse nicho de mercado, há outros valores associados, conforme destaca a cozinheira e instrutora dos cursos de copeiro e auxiliar de cozinha Márcia Sousa, explicando que o que está em evidencia também é “um conjunto, do preparo, dos cuidados, da higienização, dos ingredientes e toda a forma como ele é elaborado.”

Proprietária da Oxente Cuscuzeria afirma que há uma boa aceitação do público com os seus produtos.

Com a forte adesão da população de Imperatriz, parece que tudo isso tem agradado bastante, mesmo que o prato não seja lá uma grande novidade. Maria Regina, por exemplo, entende que a busca pelo seu estabelecimento comercial, “não é pelo tradicional, porque as pessoas fazem isso em casa, o cuscuz. Então, elas procuram algo um pouco mais requintado”.

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