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Professores e estudantes da UFMA debatem sobre a política e o jornalismo brasileiro

Professores e estudantes da UFMA debatem sobre a política e o jornalismo brasileiro

Texto e fotos: José Carlos Almeida

 

Nesta quinta-feira, estudantes e professores da Universidade Federal do Maranhão do Campus Imperatriz discutiram o jornalismo e a crise política brasileira.O evento contou com a participação da professora doutora em Comunicação Lívia Cirne, do professor doutor em Geografia Alexandre Peixoto, do empresário e Economista Político Carlos Lopes e da doutoranda em Estudos Sociais Agrário Gilvânia Ferreira, que integra o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST).

Cada participante analisou o tema sob diferentes perspectivas

Cada participante analisou o tema sob diferentes perspectivas

O debate teve o objetivo de contextualizar o atual momento vivenciado no País, a partir de variadas perspectivas: cobertura midiática, desenvolvimento político, perseguição política, movimentos sociais e economia. Na oportunidade, foi feita uma análise geral sobre a conjuntura política e também foram apresentadas matérias (impressa, portais e audiovisual) divulgadas nos meios de comunicação sobre os acontecimentos políticos dos últimos meses.

A professora doutora em Comunicação Lívia Cirne criticou a seletividade tanto do poder judiciário como da imprensa hegemônica na disseminação de informações. Alertou que “a Mídia e a Justiça têm sido dois poderes bastante incisivos, nesse processo. Elas têm articulado estratégias seletivas de distribuição das informações e têm, a meu ver, contribuído para inflamar o ódio (também seletivo) na população. A mídia, em especial, tem investido na falta de compromisso ético e na anulação de parte dos preceitos jornalísticos que são debatidos nas salas de aula, e passou a apostar às claras numa cobertura completamente enviesada e tendenciosa”. Para fundamentar, trouxe gráficos que mostravam o teor das diferentes abordagens midiáticas e apontou indícios da parcialidade jornalística desde o processo eleitoral em 2014.

Já a fala do professor doutor em Geografia Alexandre Peixoto esteve relacionada às conquistas dos últimos anos e sobre os perigos das articulações políticas que foram promovidas no governo Dilma. Criticou a forma como têm sido conduzidas as discussões nas esferas do Executivo e Legislativo e, especialmente, a emergência da interferência ativa do Judiciário e da Mídia.

Gilvânia Ferreira (MST) destacou a necessidade de aproximação entre a universidade e comunidade

Gilvânia Ferreira (integrante do MST) destacou a necessidade de aproximação entre a universidade e comunidade

Gilvânia Ferreira, pedagoga e integrante do MST, fez observações a respeito das lutas de classes, dos conflitos que envolvem os direitos das minorias e, ainda, da necessidade da reforma agrária e do preconceito em relação ao Movimento Sem Terra. Destacou também a necessidade de estreitar e fortificar a relação entre a universidade e a comunidade. “É de fundamental importância que a universidade promova esse tipo de debate junto às comunidades. É preciso fortalecer essa relação entre a universidade e a comunidade, porque ela é um espaço de trocas de conhecimentos e experiências, e entender o cenário e discutir ele com a comunidade, é fundamental nessa relação de troca.”

Dentre outros temas associados à economia política, o empresário e economista Carlos Lopes explicou sobre a crise econômica, estabeleceu um comparativo entre os índices de desenvolvimento das duas últimas décadas e discutiu sobre os interesses econômicos em jogo no governo interino. Apontou que a crise é interligada ao sistema global e característica do sistema capitalista.

Para a participante Daniele Silva, o debate foi válido: “Como estudante de comunicação social da UFMA, tenho um extremo interesse nesse tipo de debate, que discute as influências da grande mídia na opinião pública e na política. Entendendo esse aspecto, pode-se refletir sobre isso e tomar uma posição para mudar esse cenário, para que, assim, a função do jornalismo seja realmente cumprida, que é passar informações de modo justo para a população”.Ela afirma ainda que, “quem assistiu pôde ter uma melhor perspectiva do que está acontecendo no Brasil e como isso nos afeta. O ganho de conhecimento e a possibilidade de reflexão sobre foi enorme”.

"A mídia, em especial, tem prezado pela falta de compromisso ético", disse Lívia Cirne (professora da UFMA)

“A mídia, em especial, tem investido na falta de compromisso ético”, disse Lívia Cirne (professora da UFMA)

Com a realização do debate, a Universidade Federal do Maranhão junta-se a outras equipes de instituições de ensino que estão articulando atos, ocupando espaços e convocando a comunidade para a reflexão a respeito da situação política atual, tais como: Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Universidade de Brasília, Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal da Paraíba, Universidade de São Paulo. A professora Lívia Cirne diz que as universidades são ambientes propícios para esses tipos de discussões. Para ela, o ambiente acadêmico deve combater qualquer tipo de retrocesso. “As universidades, nesse sentido, têm obrigação e essa responsabilidade. Ainda mais quando, agora, temos no comando uma representação de direita, de um partido conservador e, pior, representantes ligados às instituições privadas de ensino, como o Ministro da Educação e a sua equipe.”

O evento é uma realização de integrantes da Comissão em Defesa da Educação Pública e do Centro Acadêmico de Licenciatura em Ciências Humanas/Sociologia do Campus de Imperatriz. A comissão foi criada em 2015 antes da greve das universidades federais que durou cerca de 120 dias e já realizou diversas discussões na cidade.Durante a greve, foram feitas cerca de 50 atividades.A última atividade realizada pela comissão foi um intercâmbio de conhecimento que ocorreu na semana passada em um assentamento no município de Açailândia-MA. A comissão é composta por estudantes e professores da UFMA e também por membros de movimentos sociais da cidade.

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