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Bonificação na nota do Enem prevê inserção de mais maranhenses na UFMA

Bonificação na nota do Enem prevê inserção de mais maranhenses na UFMA

Acréscimo de 20% na nota já valerá para o ano que vem

 

Texto: Nayara Nascimento e Ruan Jefferson

UFMA recebeu solenidade de assinatura da bonificação nas notas do Enem. (Foto: Nayara Nascimento/Imperatriz Notícias)

 

Na semana passada, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus de Imperatriz, recebeu a solenidade de assinatura que aprova a bonificação de 20% nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para quem deseja ingressar no Ensino Superior do Estado através do Sistema de Seleção Unificada (SISU).

Pela Resolução nº 1653 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), terá direito ao acréscimo na nota do Enem os candidatos que tenham cursado obrigatoriamente o 9º ano do Ensino Fundamental e os três anos do Ensino Médio em escolas públicas ou privadas do Maranhão. O bônus é válido a partir de 2018, para todos os cursos dos nove campi da UFMA, que são: São Luís, Bacabal, Codó, Pinheiro, São Bernardo, Chapadinha, Grajaú, Imperatriz e Balsas.

A proposta da bonificação foi discutida em audiência pública no mês de junho, em Imperatriz. Na ocasião, acadêmicos e sociedade civil participaram do debate. Em 9 de outubro, a Resolução foi aprovada pelo Consepe, e, posteriormente, assinada pela reitora da UFMA, Nair Portela.

 

Por que bonificar?

 

O projeto de política de ação afirmativa é de autoria do deputado estadual e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Bonificação, Marco Aurélio. Segundo ele, a proposta de acréscimo na nota do Enem para candidatos oriundos de escolas maranhenses surgiu pela notória realidade de ingresso de pessoas de outros estados, que acabam por abandonar o curso e deixando prejuízos na educação local. “A necessidade da gente melhorar as condições de ingresso dos estudantes do Estado foi que trouxe essa busca. Desde 2009, quando a UFMA aderiu ao Sisu, ela começou a ter mais perdas do que ganhos. Como é que a gente pode ter, por exemplo, um curso de Medicina que atrai muita gente de fora, que foi instalado aqui e em Pinheiro, recentemente, com a finalidade de fixar médicos e mudar a realidade da saúde, e sendo que de 40 alunos do primeiro período, só 5 são daqui de Imperatriz? Esses alunos que vêm de fora, na primeira oportunidade transferem ou fazem o Enem novamente, deixando as vagas ociosas, e vagas ociosas não mudam a realidade”, pontua o deputado.

O infográfico a seguir apresenta o retrato da evasão no curso de Medicina em Imperatriz.

 

De acordo com o site da UFMA, maior parte dos estudantes de Medicina da instituição é oriunda de outros estados e acaba abandonando o curso.

 

Estefane Sousa vê na bonificação a oportunidade de realização de um sonho. (Foto: Nayara Nascimento/Imperatriz Notícias)

Pela Resolução, tanto alunos oriundos de escolas públicas, quanto de instituições privadas, têm direito ao bônus na nota do Enem. Marco Aurélio explica que essa política de ação afirmativa não discrimina alunos da rede púbica, pois, segundo ele, já existe uma reserva de 50% das vagas nos cursos por meio das cotas. “Nós precisamos continuar lutando para melhorar a qualidade do ensino, público e privado, mas nós precisávamos fazer algo pra inverter esse processo de ingresso. É importante bonificar cada um em sua categoria, de modo que o estudante de escola particular continua não disputando diretamente com o aluno da escola pública. Oportunizar quem é do próprio estado, quem quer viver aqui, quem quer depois trabalhar aqui com esse conhecimento que adquiriu na universidade, que é Federal do Maranhão”, afirma.

 

A técnica em enfermagem, Estefane Sousa, 20, é uma das candidatas à vaga no curso de Medicina da UFMA de Imperatriz no seletivo deste ano. Após outras tentativas de ingresso sem sucesso, Estefane conta que o acréscimo à nota do Enem é uma esperança para a realização do sonho de ser médica. “A aprovação da bonificação pra mim foi maravilhosa, eu acho que não só pra mim, mas para todos os estudantes do Maranhão. Foi uma grande vitória, porque, assim como eu, muitos querem cursar Medicina, e querem cursar aqui. Então, era meio que uma disputa desigual, porque a maioria dos estudantes de Medicina da UFMA é de fora. Agora eu acho que dá para entrar numa disputa mais igual”, afirma a candidata.

 

O debate nas redes sociais

 

A política da ação afirmativa da bonificação foi recebida nas redes sociais com opiniões pró e contra. Na fanpage do Facebook do Jornal “O Imparcial”, os internautas comentaram a respeito do acréscimo da nota:

 

Internautas dividem opinião a respeito da bonificação. (Fonte: O Imparcial)

 

O debate está em torno, principalmente, da meritocracia, da crítica à melhoria da qualidade de ensino no Estado e da defesa do ingresso de estudantes maranhenses. Sobre isso, o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Bonificação, Marco Aurélio, aponta que é essencial melhorar a educação em todos os níveis, no entanto isso acontece a médio e longo prazo. Assim, para ele, é necessário implantar projetos pontuais. “Comparativamente com outras regiões do Brasil, o Ideb do Maranhão ainda não é superior ao desses outros estados. Qualquer investimento na educação, os resultados não são imediatos, enquanto a política afirmativa da bonificação já traz uma possibilidade de corrigir hoje. Além disso, esse ingresso qualificado não é permanente; a UFMA definiu através da sua Resolução que ele vai ficar por 4 anos, sendo revisado a cada ano, e depois vai ser avaliado o resultado geral pra ver se mantém essa política. Ou seja, ele é por tempo determinado pra que a gente não precise mais dele. Mas hoje a gente necessita reverter enquanto vem o resultado de todo o investimento que está sendo feito na educação”, afirma.

 

O sistema de bonificação no Brasil

 

Segundo o Ministério de Educação (MEC), atualmente 12 instituições de Ensino Superior brasileiras já utilizam o sistema de bonificação como política de ação afirmativa, visando dar condições de concorrência mais igualitárias aos candidatos de diferentes estados e regiões.

É importante ressaltar que os requisitos para ter direito ao bônus podem variar, pois as universidades têm autonomia para decidir sobre a aplicação da política e os critérios que devem ser estabelecidos, já que há diferentes necessidades educacionais em cada estado.

A Universidade Federal do Pará (UFPA) destina bônus de 10% na nota do Enem para quem cursa o ensino médio em um estado da Região Norte e deseja ingressar na instituição através do Sisu. A Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) também adotou o sistema de bonificação, aplicando 20% a mais na nota para quem concluiu todo o ensino médio em municípios baianos distantes até 150 quilômetros dos campi. Já a Universidade de Brasília (UNB) desistiu de usar o benefício do acréscimo depois de analisarem que a inserção de alunos da região já acontecia, sem que fosse necessária a implementação da política de ação afirmativa.

 

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