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“Se você investir em uma criança, não vai ter dor de cabeça com um adulto”: entrevista com líder do projeto social Batuck

“Se você investir em uma criança, não vai ter dor de cabeça com um adulto”: entrevista com líder do projeto social Batuck

Texto e fotos de Nandara Melo

 

“Tem crianças que estão aqui hoje no projeto e que eu trombava com ela meia noite, no meio da rua soltando pipa, correndo atrás de uma bola. “

O projeto social Batuck nasceu há seis anos e desenvolve um trabalho preventivo contra drogas e violência para crianças de 2 a 17 anos. Localiza-se na avenida Norte Sul N°32 no bairro Vila Vitória. Não possui vinculação com o estado ou município para seu custeio e aloca recursos para a sua manutenção e desenvolvimento através de doações e investimento de seus coordenadores.

A Vila Vitória possui cerca de 2 mil crianças e adolescente.A ideia de criar um projeto que as oportunizasse a descobrir e desenvolver dotes musicais e esportivos, veio da necessidade de desassocia – lós do cenário negativo que as rodeiam e incentivá-los a olhar a vida de uma maneira diferente, viabilizadas assim por essas modalidades.

A ONG oferece aulas de: jiu-jitsu, futebol masculino e feminino, natação e karatê. O espaço que é utilizado como sede do projeto não comporta algumas das modalidades esportivas como, por exemplo, natação e futebol. As aulas direcionadas as respectivas modalidades são dadas no SEST SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) e na quadra que o bairro dispõe.

A maioria dos professores é voluntário, outros são assessorados pelos dirigentes do projeto em sua locomoção. Também promovem palestras para os seus participantes e contam com pessoas voluntárias da área de interesse que vai ser abordada. São diversas as temáticas: religiosas, saúde, bem-estar, prevenção, dentre outras.

O idealizador e dirigente do projeto em Imperatriz, NaldoBelone,é natural do município de Santa Inês no Maranhão e  seu primeiro contato com crianças foi desde quando o mesmo era criança.Hoje ele trabalhasomente para o projeto e sua esposa Ellen Ornellas está se graduando em Serviço Social para que possa auxiliar os participantes da ONG e conduzi-la com mais propriedade.

Confira a seguir, a entrevista completa e muito mais sobre o assunto!

Imperatriz Notícias: Além do foco social o projeto objetiva descobrir e estimular dotes esportivos e musicais de seus membros. Vocês já tiveram alguma notoriedade nestes âmbitos?

NaldoBelone:Sim, nós já fizemos alguns campeonatos aqui na cidade e temos um quadro com várias medalhas. No facebook nós já tivemos 1.900.000 visualizações e apágina do projeto social Batuck é muito bem visitada. Agora começamos com um time de futebol. Tenho 80 crianças participando e tantas outras querendo participar, mas não conseguimos comportar todas.

IN: Por que é importante ter uma introdução à arte?

NB:Tomando como base a Vila Vitória, que tem muito mais de 2 mil crianças e adolescentes. A criança estuda pela manhã, meio dia já está na casa. Tem crianças que estão aqui hoje no projeto e que eu trombava com ela meia noite, no meio da rua soltando pipa, correndo atrás de uma bola. Então, essa é a necessidade: fazer alguma coisa pela nossa comunidade.

IN: A educação na escola não é o suficiente para suprir?

“É muito mais barato trabalhar a prevenção do que o tratamento”

NB:Nunca! Hoje o que o estado, o governo federal e o município ofertam para essas crianças é praticamente uma esmola!Temos aqui uma quadra maravilhosa no Conjunto Vitória e deixam os meninos lá e o porteiro. Eles vão fazer o que? Cadê a introdução aos princípios básicos do futebol? É um espaço que não tem material humano. Hoje o projeto tem se consolidado e temos conseguido voluntários sempre bem graduadospara ministrar aulas para as nossas crianças.

IN: Há uma diferença entre uma criança que possui estímulo nesse âmbito como cidadão?

NB: Se você investir em uma criança, não vai ter dor de cabeça com um adulto. É muito mais barato trabalhar a prevenção do que o tratamento. Conseguimos trabalhar uma criança, mas depois que ela experimenta o mundo das drogas, acaba – se a inocência! Por ela ser criança não tem dinheiro e vai adentrar cada vez mais precocemente ao mundo das drogas, ao mundo da delinquência.

IN: Sabemos que o objetivo do projeto é proteger crianças que estão em situação de vulnerabilidade econômica dasdrogas e violência. Pode – se perceber ao iniciar o processo de relacionamento com eles traços deste cenário na parte psicológica e comportamental?

NB:Nós já temos um traquejo grande com crianças. Eu já sei se ela já foi abusada sexualmente só de olhar, se a criança tem algum problema com drogas, álcool, delinquência, violência. Conseguimos fazer o mapeamento de um histórico ao sentar por cinco minutos com essa criança.

IN: Conscientes do cenário econômico e social negativo em que os participantes do projeto se encontram, há obstáculos para que eles permaneçam?

NB:Quando está em abundância ri todo mundo junto, quando está devagar chora todo mundo junto.Arrecadamos algumas coisas através das redes sociais com algumas matérias, fazemos bazar em alguns pontos estratégicos e assim sempre conseguimos pagar o aluguel, uma conta de energia ou o carro que quebra.

IN: Compreendemos a importância do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) como principal escudo para a proteção da infância e adolescência. Vocês já tiveram de lidar com situações em que os direitos da criança ou adolescente estavam sendo visivelmente transgredidos?

NB:O próprio estado é quem mais viola esses direitos. São dezenas de crianças que a gente tira da sua casa e que a maioria começou a vir ao projeto social por causa de um lanche. Arrecadamos roupas, alimentos, cestas básicas, remédios.

I.N: Levando em consideração a intencionalidade do projeto e o seu público alvo, pode – se apontar um perfil predominante das crianças e famílias que são assistidas por ele?

NB:Toda criança é boa, amável e tratável desde que os pais comecem a ensinar no caminho que devem andar. Agora cria uma geração sem freio, uma criança que ela não tem limites. Que tipo de adolescente, jovem, adulto vai ficar para esse mundo? Então essa minha pergunta responde a sua pergunta.

IN: Tendo consciência dos efeitos que este projeto resulta neste processo de auxílio e direcionamento, como você avalia a importância de trabalhos neste segmento para crianças carentes?

NB:O que seria do Brasil sem projetos sérios? O que seria da prefeitura de Imperatriz sem a casa de Davi, sem o projeto social Batuck, sem o Mama África e sem muitos outros projetos brilhantes que tem na cidade. Um projeto social é uma benção.

Quer conhecer mais sobre o projeto social Batuck e fazer doações?

https://www.facebook.com/Batuknosso/

Sede da ONG: Avenida norte sul, Vila Vitória, N°32

Telefone para contato: (99) 98101 – 8000

Caixa: AG 0644/ C.C 5846-3/ OP 003 Projeto Social Batuck

 

 

 

 

 

 

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