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Tem dúvidas sobre infertilidade masculina? O médico urologista Kalielton Ribeiro responde

Tem dúvidas sobre infertilidade masculina? O médico urologista Kalielton Ribeiro responde

Texto e fotos de Luana Fonseca

A infertilidade é diagnosticada quando o casal que está tentando a mais de um ano, sem métodos contraceptivos e com no mínimo duas vezes na semana tendo relações sexuais, não conseguem conceber uma gravidez. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que atualmente 80 milhões de pessoas em todo o mundo apresentem problemas de infertilidade. Nno Brasil esse número equivale em cerca de 7 milhões de casais e, destes 40% dos que são inférteis são homens. Para falar sobre o assunto entrevistamos o médico Kalielton Ribeiro que tem  especialização em urologia no hospital do Instituto Federal de Brasília. Nesta entrevista, ele aborda sobre os motivos, diagnósticos e tratamentos específicos para cada situação.

 

"Eu acredito que a primeira coisa é ter esperança e tem casais que perdem isso antes do tempo"

“Eu acredito que a primeira coisa é ter esperança e tem casais que perdem isso antes do tempo”

Imperatriz Notícias: Quando o homem suspeita de que possa ser infértil?

Kalielton Ribeiro: A gente só classifica a possibilidade de infertilidade quando o casal tentam em um ano e pelo menos duas vezes na semana e não conseguem engravidar. Não podemos falar que o casal tentou somente 6 meses e não conseguiram e por isso são inférteis até porque cada pessoa como tem chance de 17% de primeira, então os critérios da OMS são esses, a infertilidade só é entendida após um ano de tentativas do casal e nesse tempo não acabarem concebendo uma gestação.

IN: Quais exames são feitos para ter um diagnóstico?

KR:Primeira coisa a ser feita é a avaliação clínica. A gente conversa com o paciente se ele já teve algum antecedente de infecção como, por exemplo, a caxumba que é quando desce até os testículos e pode estar o afetando, que acabam se transformando em uma orquite viral, levando a diminuição na produção de esperma. Pergunto também se o paciente já uso drogas ilícitas como maconha, cocaína que também ajudam nessa diminuição, se ele sofreu algum tipo de trauma como uma pancada muito grande na região testicular que pode ter ocorrido uma ruptura dos vasos e diminuem também a produção do esperma. Depois disso vamos ao momento mais simples que é o procedimento físico, já que não vai direto para o exame laboratorial e é nessa fase em que apalpamos os testículos do paciente. Em seguida vem o espermograma que é um exame que tira uma quantidade de sêmen do paciente para análise, leva ao microscópio e ver quantos espermatozoide tem aqui por ml. Ter mais de 60 milhões por ml é boa quantidade.

IN: Tem casos que possuem tratamentos. Quais são eles?

KR: A varicocele, como principal doença de infertilidade, dá pra tratar com uma pequena cirurgia, já que são varizes tortuosas e veias dilatadas. Então tentamos diminuir essa dilatação, já que causa acidez no testículo e aumenta a temperatura nesse local, e depois dessa cirurgia tem pacientes que conseguem engravidar. Fez a cirurgia da varicocele e não engravidou? repete um novo espermograma. Melhorou? Bacana! Essa doença é a causa de 40 % de infertilidade mas muitos casos o cara não tem nada de esperma e é nesse momento que ficamos preocupados. Se ele não tem nada, pode ser duas coisas: ou o canal deferente está totalmente obstruído ou esse paciente, por alguma alteração genética, não produz esperma e é aí que começa os desafios. Se tiver o canal estiver obstruído podemos fazer uma punção testicular. Já em outros casos, para haver a fecundação será necessária a fecundação in vitro. Se fez a biopsia e não tem nada de esperma, então significa que o organismo não vai mais produzir nesse paciente por alguma alteração genética e inclusive que pode ser síndrome de Klinefelter que quando os pacientes vem com pouca quantidade e até mesmo a ausência de esperma. Nesse caso temos que conversar com o paciente sobre outras opções como usar o banco de sêmen ou também a adoção. 

IN: Existem quantos casos registrados aqui no estado?  

"É importante ter uma harmonia muito grande para garantir o objetivo final, mas só com a harmonia isso é possível"

“É importante ter uma harmonia muito grande para garantir o objetivo final, mas só com a harmonia isso é possível”

KR: Não temos. Aqui no Brasil em si as coletas de dados são muito deficientes em comparação aos outros países. Todos esses dados que eu te dei são de escolas americanas porque no Brasil a gente ainda não consegue fazer um registro adequado, até porque pela própria deficiência do governo já que não existem fichas próprias. É difícil até ter uma ideia sobre as DST’s. Mas estima-se que em regra geral que 20 % dos casais têm problemas para ter o seu bebê.

IN: Há mais casos de infertilidade devido à questões genéticas ou no próprio estilo de vida do paciente?

KR: De como leva a vida, certeza. Hoje é comprovado também que a taxa de fecundidade está sendo diminuída na sociedade principalmente em que o estresse aumenta. Conforme a taxa de estresse aumenta, a taxa de fecundidade cai. Tanto que para aqueles que têm dificuldade diz olha, tem que diminuir a carga de trabalho, tem que relaxar mais, tem que parar de beber, para de se alimentar mal e melhorar o estilo de vida e as vezes fazendo isso ele conseguem engravidar. Então assim, a maioria dos casos de infertilidade do homem que fazem aqueles exames e não tem varicocele, iremos analisar o cariótipo, que é o geneticista que cuida dessa área e onde é feita uma avaliação para detectar alguma possível síndrome.

IN: Quais os fatores de risco externos existem para o homem vir adquirir a infertilidade?

KR: Álcool, má alimentação, estresse crônico, também intoxicações em indústrias como tintas, chumbo, desinfetantes, tudo isso são fatores que vão prejudicando e também muitos homens acabam se envolvendo com anabolizantes em busca de um corpo perfeito, consumindo uma grande quantidade de testosterona e havendo uma diminuição considerável de esperma e também causando a atrofia testicular criando dificuldades para engravidar.

IN: Fertilidade e virilidade estão relacionadas?

KR: Não, elas não estão relacionadas. Muitos homens na vida sexual deles é normal. Não sei queixam de impotência, mas tem a questão de não conseguir engravidar. Psicologicamente o homem não pode se sentir culpado e aconselho em último caso o banco de esperma tendo em vista que fazendo isso a mulher vai se sentir mãe por estar gerando uma criança e com o tempo isso se diluí e ele vai perdendo um suposto preconceito que pode ter.

IN: Ainda existem casos de casais quererem fazer exames pré-nupcial?

KR: Não é tão comum. A gente pega um caso isolado que vem realmente quererem fazer esse tipo de exame, o que é bacana já que o casal tem que ter uma comunicação para saber lidar com algumas situações e não se sentir frustrado quando não ocorrer o esperado. Assim terá como avaliar se terá capacidade psicológica pra levar isso adiante, já que para o casal em si e se tratando de infertilidade meche muito com o psicológico de ambos, e é importante ter uma harmonia muito grande para garantir o objetivo final, mas só com a harmonia isso é possível.

IN: Por que o senhor acredita que existem tantos médicos ginecologistas e poucas médicas urologistas?

KR: Até em questão do preconceito. Se a gente for pensar bem e perguntar se ele gostaria que quem fizesse seu exame fosse um homem ou uma mulher ele vai se sentir envergonhado e pode até fazer o exame do toque com a mulher mas com certeza não iriam falar sobre problemas de impotências com elas. Mas as urologistas tem um papel fundamental. Aqui no Brasil já tem mais de 150 mulheres urologistas catalogadas no conselho de urologia. Então sabendo elas dessa questão do homem, acabam exercendo sub áreas como a uropediatria. Mas acredito que com o passar do tempo esse tabu venha a diminuir.

IN: Qual conselho o senhor daria para o casal que está enfrentando esse tipo de situação?

KR: Sempre ter fé. Eu acredito que a primeira coisa é ter esperança e tem casais que perdem isso antes do tempo e ficam acomodados com isso, não buscando seus tratamentos. Descobriu cedo? tem que tentar até os 40 anos que é quando a ovulação da mulher diminui. Não podem ficar acomodados. Tanto que hoje em dia existem vários meios para conseguir a chegar nisso então, primeiro é conscientizar a procurarem uma avaliação, descobrindo isso vão procurar a melhor conduta a ser feita e acima de tudo apoiar o outro e superar essa barreira juntos.

 

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