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Opinião: Misturar teatro e tecnologia não agradou os imperatrizenses

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285591 234504286590136_100000916994710_691736_3623286_n_copy285591 234504286590136_100000916994710_691736_3623286_n_copyMisturar em um espetáculo teatral a linguagem cênica e tecnologia audiovisual, com um enredo que tenta levar o público a refletir sobre o processo de desumanização pelo avanço tecnológico, foi uma metalinguagem que não atraiu público para o Teatro Ferreira Gullar na última sessão desse domingo, e o mesmo se repetiu em toda a curta temporada do espetáculo E.V.A. – um monólogo, que aconteceu no período de 14 a 16 de outubro, em Imperatriz.

A atriz Ediane Karlecia dá vida à personagem Eva. Ela é na verdade a personificação de uma máquina quase humana, a representação do início de tudo e de todos, característica retirada da história bíblia Adão e Eva. Todo o seu discurso é voltado para o paradigma homem VS tecnologia. Afinal, nas mãos de quem está o poder?

Ela encarou de forma brilhante o desafio de apresentar um texto recheado de metáforas comparativas do ontem, do hoje e do amanhã na sociedade. O lado feminino se configura como a geradora de vida, ponto central da evolução da espécie humana. Já seu lado máquina representa a continuidade dessa espécie, substituindo-a ou não em algum ponto do futuro.

A proposta de Janailton Santos, Ediane Karlecia e Herivelton Nunes, diretores e roteiristas, era criar um ambiente multisensorial, onde a dramatização da atriz fosse auxiliada com recortes de filmes que contam um pouco da história evolutiva humana. Em certos momentos há embaraços no entendimento do roteiro com tantas informações visuais liberadas ao mesmo tempo, mas nada que eliminasse a eficaz criatividade dos diretores. 

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O único fracasso do espetáculo foi a falta de público, questionada pelos diretores ao fim da sessão. Talvez não houve divulgação suficiente. Talvez a cultura da cidade em ir ao teatro assistir espetáculos voltados para a comédia também tenha interferido. O que se sabe de certeza é que, enquanto a sessão desse domingo não dava início, algumas pessoas, meio tímidas, se aproximavam da bilheteria e, ao se informar do que era o espetáculo, logo abandonavam o perímetro do teatro. Uma ótima apresentação para os que estavam presentes. Um desperdício de conhecimento para quem não soube aproveitar o momento.

Trajetória
Produzido pelo encenador imperatrizense Janailton Santos e com direção audiovisual dos cineastas Gabriel Carvalho e André Barros, de São Paulo, o espetáculo foi idealizado e apresentado ainda em 2008, na disciplina de caracterização, do curso de artes cênicas da Universidade Federal do Maranhão. Se apresentou na 3º Semana de teatro Reynaldo Faray e no IX Encontro Humanístico: Identidades, em 2009. Em 2010, estreou no circuito oficial de produções teatrais maranhenses através de produção independente no  Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, retornando ao mesmo teatro para um reapresentação em 2011 no encerramento da programação da VI edição da Semana do Teatro no Maranhão, além de ter sido apresentado em fragmentos na programação do SESC Cena Teatral, em comemoração ao dia do teatro. Esta é a primeira vez que o espetáculo será exibido em Imperatriz.

Fotos: Arquivo pessoal de Ediane Karlecia

Comentários 

 
#2 James Araújo 17-10-2011 16:56
Citando Fernando:
Não sei se a ausência de público se deu em função da mistura q vc apontou e da proposta do espetáculo. Acredito que isso se deva mais ao fato de a peça não se tratar um show de humor, e que qualquer peça q se encaixe aí, no não-humor/escracho, terá desempenho parecido com o que a peça E.V.A. teve.

Na verdade eu comentei isso no fim do post.
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#1 Fernando 17-10-2011 16:35
Não sei se a ausência de público se deu em função da mistura q vc apontou e da proposta do espetáculo. Acredito que isso se deva mais ao fato de a peça não se tratar um show de humor, e que qualquer peça q se encaixe aí, no não-humor/escracho, terá desempenho parecido com o que a peça E.V.A. teve.
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Última atualização em Seg, 17 de Outubro de 2011 11:03

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