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Entrevista com um dos forrozeiros mais conhecidos da região

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fotofotoCom 76 anos de idade e 58 de carreira, o sanfoneiro mais popular da região, Raimundo Antônio Lima Filho, o Raimundo Paulino, fala sobre a trajetória na música e a vida marcada pelo sucesso. Na calçada da casa onde mora, fez questão de “vestir” a sanfona de 80 baixos, com ajuda do genro Alvino, que também é forrozeiro, e puxar algumas canções enquanto batiamos um papo divertido, com piadas e gar¬galhadas, acompanhados de longe por olhares e ouvidos atentos de alguns vizinhos do cantor. O piauiense de Teresina que teve a chance de abrir um show para Luis Gonzaga em 1969, em Imperatriz, na festa de aniversário de uma grande loja da cidade, lembrou de um con¬selho recebido do “Rei do Baião” e falou de cenas que ele não consegue apagar da memória. Algumas respostas ele nos deu cantando. Com vocês, um bate-papo com Raimundo Paulino, consciente e no forró.

Como foi a experiência de fazer a abertura de um show do Luis Gonzaga?

Eu tinha muita vontade de conhecer ele e nesse dia deu certo. Quem estava tocando também era o “Raimundo da Girica”, que também já morreu. O Luis Gonzaga me perguntou se eu tocava sentado ou de pé. Eu respondi que toca¬va sentado, até porque já dei muitas entrevistas em rádios pioneiras, como a rádio Clube em Te¬resina e em Fortaleza, e nos estúdios já tinham as cadeiras para a gente chegar sentar, fui acostumando. Então ele disse: “pois não faça assim não que você vai adoecer da coluna”. Eu desobedeci e hoje tenho problemas na coluna. Foi uma experiência boa.

E a paixão pela sanfona?

De menino, mas quando eu comecei tocar nem era sanfona que chamava, era “armonca” (harmôni¬ca) de botão, meu pai tocava uma delas e eu fui gostando daquilo e como gostava de ver Luis Gonzaga tocar naquela sanfona branca dele, fui aprendendo.

Você disse que da ultima vez que parou para contar, tinha 563 músicas de sua autoria. Dessas músicas tem alguma que possa ser considerada a sua preferida?

Se você me contratar e disser para eu cantar só músicas minhas eu canto, mas quando pedem de outros cantores eu canto também. Agora tem uma que eu gosto de cantar sempre para abrir as festas, é A Saudade Tão Bela. Sou mui¬to conhecido em Carolina e essa é uma musica que eu falo das belezas de lá. Uma vez fiz uma música para Palmas, capital do Tocantins, mas nunca vi seu Siqueira Campos, que era e é o governador.

Uma de suas características são músicas que trazem na letra homenagens a algumas cidades. Por que você gosta de compor assim?

Eu já viajei muito, inclusive o meu primeiro LP foi gravado em Fortaleza-CE e o segundo em São Paulo. Fiz uma música para Fortaleza: “Fortaleza terra boa / eu gostei muito de lá...” essa eu fiz lembrando muito do mar, eu nunca tinha visto o mar de perto, lá eu tive essa opor-tunidade. Fiz musica também para a capital do Tocantins: “se você ainda não conhece Palmas / é muito bom você vir conhecer / o que é bonito é bom se vê de perto, ela está de braço aber¬to esperando por você...” são musicas só para lembrar o que vi de bom por onde passei.

Qual a maior lembrança da carreira de Raimundo Paulino?

O acidente com o meu ônibus que caiu dentro do rio e perdi todos os instrumentos das duas bandas que eu tinha, Os Conscientes do Forró e os Irmãos do Forró. Se acabou tudo, foi igual jacaré, entrou de bico na água. Graças a Deus só tinha dentro bens materiais, as pessoas es-tavam todas fora. Apenas o rapaz que dirigia na hora, pois estávamos tentando por o ônibus para “pegar” no empurrão quando desceu a ri¬banceira e entrou na água, então apenas ele estava dentro e conseguiu sair. Hoje ele é meu genro e tecladista do meu grupo. De lá para cá comprei outro ônibus e já tive muitos carros, sanfonas, e mulheres. De mulher eu trocava toda semana...

Como foi o seu primeiro encontro com o mar?

Ave Maria! Quando eu vi aquela “canga d’água pensei: vai me matar! Aquela água joga a gen-te muito longe. Mas são tantas garotas bonitas que vão para lá... nesse tempo eu era casado, mas me deu vontade até de largar a mulher...

Casado também namora, seu Raimundo?

Depende só de achar... (risos)

Hoje é assim ainda?

Não, hoje não.

Qual a melhor lembrança que o senhor guarda da experiência em São Paulo?

Eu fui para lá gravar meu segundo disco, fui na companhia de um grande musico, o Oswaldi-nho, filho do Pedro Sertanejo, e foi lá que eu gravei “eu vou deixar meu nordeste pra cumprir com minha sina...”. Gravei também Meu filho Vale Ouro: “a tardezinha o sol vai se escondendo / o manto negro da noite espalhando / e eu sentido uma grande saudade do meu querido filho que vive chorando...”. Essa eu fiz com o meu filho Raimundinho, hoje ele não é mais vivo. 

O Raimundo Paulino hoje é casado ou solteiro?

Eu tô só. Mas se aparecer e for coisa certa... (risos)

Deixe um recado para os seus fãs.

Digo a todos os meus amigos - alguns pensam, que eu já morri - que eu tô aqui na terra tocando e arranjando namorada de toda cor.

Comentários 

 
#2 Junior 29-03-2012 12:41
Gostei muito da entrevista!!!Es se cidadão tem muito talento
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#1 Renata 04-11-2011 21:57
Essa matéria me deixou feliz. Há muito tempo que eu não sabia do paradeiro desse cidadão. Músico 'pesado' da nossa terrinha. Muitas lembranças de infãncia assistindo ao programa do "Corró". Parabéns pela entrevista.
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