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Em Imperatriz, o rock ainda tem vez

Em Imperatriz, o rock ainda tem vez

Apesar de Imperatriz ser uma cidade com atração pelo forró e sertanejo, inclusive em suas casas de shows, o rock também é um estilo musical muito forte

Por Bárbara Fernandes

 

Quando lembramos do cenário do rock em Imperatriz anos atrás, é impossível não citar o antigo TNT Coquetel, que era uma barraca de coquetéis na Beira-Rio, ponto de encontro dos amantes do estilo musical e que anos depois mudou para a Rua Coronel Manoel Bandeira, perto da Praça da Cultura. O integrante da banda Unborn (vídeo), Samuel Souza era frequentador do TNT e conta como esses encontros começaram a se consolidar: “as pessoas se encontravam no quintal de uma casa, elas levavam os discos e pagavam um valor para entrar e foi a partir desses encontros que algumas bandas foram surgindo”.

Nessa época, Samuel já tinha uma pequena banda de rock com alguns amigos. “Em 1992, a gente brincava de bandinha. Eu, Tico e Helio formamos a banda ‘Vômito de Padre’. Não era uma banda, era uma tentativa de fazer uma. As letras eram em português e os ensaios eram feitos num quartinho em casa mesmo, mas a banda não durou muito tempo”, relembra ele, que a partir de então não parou de fazer música underground e encara a atividade como um hobbie.

Em 1993, Samuel conta que o Teatro Ferreira Gullar estava em decadência, pois praticamente não haviam apresentações por lá, então as bandas de rock começaram fazer apresentações no local, “Eu e meus amigos ‘Jaburu’ e Jânio formamos a Pandemoniun e fomos a primeira banda a se apresentar lá. As cadeiras eram removíveis, então tiramos todas e usamos o espaço”.

Samuel Souza liderou, em 1994, a Mystic, a banda chegou a gravar quatro músicas demo em fita e também usava fanzines para divulgação. “Naquela época acontecia a Feira de Artes de Imperatriz e nós fomos a primeira banda a se apresentar nessa feira que acontecia em praça pública”.

Além de Samuel, outros nomes também foram muito importantes para a construção desse cenário na nossa cidade, entre eles Wilson Zara, cover de Raul Seixas e dono do famoso bar Caneleiros, local onde havia apresentações de bandas. Além de Wilson, tivemos: Chiquinho França, que fez cover de Pink Floyd com o nome de Pink França Floyd; Celso Russo, cover de Legião Urbana, e The Ducks, liderada por Nane Vieira, que fazia cover de Nirvana.

Também é impossível contar a história do rock imperatrizense e não lembrar de bandas como Caso de Revolta, Displesuares, Nail Head, Ato Infenso, Destroicers, Mortos, Nem-1, Noise Verm, Pilantropia, entre outras.

Para o integrante da banda Dead Jack, Gil Gilmar Salazar o cenário do rock em nossa cidade já foi muito ruim: “houve um período que estava bastante em alta, em 2000, 2002. Os únicos que se mantiveram firmes desde então foi o cenário de metal, que está sempre realizando eventos e produzindo música autoral”.

Atualmente o espaço de apresentação de bandas de rock vem aumentando, é o que explica Gil Gilmar. “Nos últimos anos, vemos a participação de bandas em eventos da prefeitura, alguns bares que vestem a camisa do rock sendo reativados, a união das bandas, o interesse das bandas em produzir música autoral. Todo esse cenário vem melhorando”.

Para Júnior Guerreiro, cantor da PopDee, banda de pop com influências de música eletrônica e rock, os artistas da terra deveriam ser mais valorizados, “os donos de casas de shows e promotores de eventos devem dar mais valor a essas bandas, porque as vezes é preciso vir um artista de fora para que eles deem valor”. Júnior aproveita para alertar: “A gente não deveria ir para fora pra começar a fazer sucesso aqui, deveria ser o oposto, primeiro fazer sucesso aqui e depois ir para fora”.

Para conseguir esse reconhecimento, Júnior fala dos planos que a PopDee tem: “em 2017 tem muitos planos, planos muito altos, incluindo acrescentar novas músicas autorais ao nosso repertório, trabalharmos o marketing digital e as mídias sociais”.

E para o líder da banda Assalto (vídeo), Alysson Ferr é exatamente disso que as bandas precisam para se destacarem. Ele entende que “para aumentar ainda mais o cenário, é manter o que vem sendo feito. Cada banda com seu repertório, com um nível de qualidade. Imperatriz é uma cidade de muitos talentos, muitas bandas e composições boas, eu acredito que esteja bem próximo de uma banda da nossa cidade se destacar no mercado nacional”.

Alysson lembra ainda que, apesar de sermos uma cidade com uma cultura mais sertaneja, as pessoas têm abraçado as bandas de rock, “as bandas locais nadam contra a maré há anos, muita gente ligava o rock à baderna, bagunça. Hoje as pessoas entendem que não tem nada disso. Acredito que esse número de bandas vá até aumentar, porque muita gente vem se matriculando em escolas de música e essas pessoas vão querer mostrar o trabalho para alguém e a partir daí devem surgir novas bandas, inclusive de rock”.

Em relação à banda Assalto, Alysson também mostra otimismo para esse ano: “em 2017, queremos movimentar nosso canal no Youtube e também queremos gravar um EP (sigla de ‘extended play‘, que nada mais é que um CD com menos músicas) somente com músicas autorais”.

No fim das contas, é possível perceber que existe público na cidade, o que falta, na maioria das vezes, é espaço para apresentação, oportunidades e divulgação. E o intuito tanto das bandas quanto de festivais lançados em Imperatriz, como o Sonora, é dar mais essa ajuda para que o rock local se fortaleça ainda mais.

O SonoraBR acontecerá neste sábado, no Rancho da Villa

O SonoraBR acontecerá neste sábado, no Rancho da Villa

Sonora Rock Festival – Devido a carência de eventos de rock na cidade, um grupo de amigos decidiu criar um festival de rock. É o que conta um dos organizadores do evento, Gil Gilmar: “o sonora surgiu primeiramente do anseio pela realização de eventos de rock na cidade, ainda mais os de viés alternativo, que nos últimos anos estavam muito em baixa, se resumindo apenas as bandas se apresentarem nos poucos bares voltados para esse público”.

A ideia de Gil Gilmar, Miryellen Pontes e  Yuri Hamada foi tão boa que, apesar de ser um projeto que nasceu recentemente, já é sucesso na cidade de imperatriz. “Na primeira edição, nós não esperávamos mais de 600 ou 700 pessoas, e nesse ponto estávamos bem otimistas. Nosso maior público pagante foi o de 978 pessoas”, explica Gil Gilmar.

Para o organizador, um ponto positivo para o evento é que ele aproxima as bandas locais, reavivando esse cenário do rock. “O Sonora vem dando certo porque conta ativamente com o apoio das bandas participantes. A estrutura é quase uma colaboração entre o staff e as bandas. Então podemos resumir que o surgimento desse festival se deu em virtude do desejo do próprio público roqueiro da cidade”.

O Sonora Rock Festival está na sua terceira edição e acontecerá neste sábado (14), a partir das 19h, no Rancho da Villa. Dessa vez, a atração promete fazer tributo a mais de quinze bandas e cantores, entre eles Charlie Brown Jr., Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, entre outros. As bandas que irão se apresentar para os tributos são Assalto, A Resistência, Dead Jack, Melquíades Dissonante e Madame Lulu.

Os ingressos antecipados custam R$ 30,00 e estão sendo vendidos no Gatinhos Sushi Bar, Tio Sam Restaurante, Studio Center, M. Officer, Happy Hour, Pêxi Pôdi, Eventos.com, Mercantil Avenida, Imperial Hop, Frigobar e Tilts Games. Também estarão disponíveis para venda na hora do evento, no valor de R$ 60,00 e meia-entrada por R$ 30,00.

*Recortes cedidos por Samuel Souza (Arquivo Pessoal)

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