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Grupo Pasárgada comemora três anos com espetáculo intitulado Vagalumes Urbanos

Grupo Pasárgada comemora três anos com espetáculo intitulado Vagalumes Urbanos

Texto: Beatriz Farias e Lara Borralho

Fotos: Wescley Aquino (divulgação)

 

Grupo Pasárgada promete emocionar público

 

O grupo de danças Pasárgada, de Imperatriz, está completando três anos em 2017. Considerado um dos melhores grupos da cidade, ele celebra a data com espetáculo Vagalumes Urbanos. O espetáculo acontece nos dias 11, 12 e 13 de agosto, no Teatro Ferreira Gullar, com apresentações que enfatizam os traumas urbanos e como eles impactam as almas humanas.

Pasárgada é o primeiro grupo de danças clássica, contemporânea, jazz e moderna no segmento independente da cidade de Imperatriz (MA). É integrado por nove profissionais, dos quais a maioria são bailarinos com experiências entre cinco a nove anos no ramo da dança clássica e suas vertentes.

Grupo mescla dança clássica, contemporânea, jazz e moderna

“A proposta do espetáculo que a gente espera é que as pessoas saiam do teatro com o sentimento de transformação,

sentindo que elas precisavam assistir para poder mudar alguma coisa na vida delas. De postura sobre o ser humano, de pessoa e como um ser. Queremos levar a mensagem e fazer com que as pessoas pensem: ‘caramba, como eu vivi até agora sem pensar nisso?’”, explica a bailarina Bruna Viveiros.

A coordenadora do grupo, Adrielle Pinho, explica que o público imperatrizense está acostumado com apresentações de escolas, no que se trata de espetáculos de dança, e o Pasárgada traz mudanças para este cenário.

“Nosso espetáculo tem um diferencial porque vamos fazer críticas, alguém pode sair chorando, até mesmo sem entender nada ou entender tudo. Nós queremos incomodar de alguma forma, é algo bem diferente”, explica Adrielle.

 

Vagalumes Urbanos?

Segundo dançarino Thaymison Gomes, apresentações contarão com música, atuação e declamação

A ideia do espetáculo de dança surgiu em 2016, em comemoração aos três anos de união que foram completados este ano. Segundo o bailarino Thaymison Gomes, o grupo já estava com essa promessa desde os dois anos de fundação. Então, começaram a ensaiar e decidiram inovar com apresentações de música, atuação e declamação, tudo isso em um só espetáculo.

“Nesse espetáculo, nós não quisemos nos limitar somente à música contemporânea. O público vai se deparar com todo tipo de música. Nosso espetáculo traz nuances; todas as cenas trazem mensagens diferentes e cada uma tem um propósito, assim como cada poema, cada movimento e cada posição de luz”, revela a bailarina Bruna.

O grupo falou de um objeto surpresa que é a mensagem principal e será usado durante todo o espetáculo. “Ele representa metaforicamente milhares de coisas na apresentação. Ele fala do eu, do dentro, do fora, do externo, do interno e isso tudo o público verá”, explica Bruna.

A escolha do tema para o espetáculo reflete na sensibilidade dos integrantes. A proposta “Vagalumes Urbanos” incita que as pessoas passem a perceber as virtudes e essencialidade das coisas, a partir da subjetividade. Também propõe respeitar a própria essência, e não optar pela artificialidade causada pelo “sistema” que, segundo Fernanda Miller, rói o interior das pessoas.

“A gente não vai poder falar abertamente e obviamente, não queremos que as pessoas entendam pela linguagem crua. O que queremos é que elas sintam primeiro aquilo, para que depois ela possa entender. Queremos que entendam a mensagem por outro tipo de linguagem, a linguagem do corpo em movimento”, diz a dançarina.

“Todos nós temos uma luz e muitas vezes os traumas urbanos (condicionamentos, a parte bruta e cruel da vida na cidade) que embrutecem as pessoas e fazem com que essa luz interior seja esmaecida. Os vagalumes, cientificamente, podem ser mais encontrados em áreas que não há acumulo de luz, como nas florestas, que tem mais características urbanas, sem luz artificial. E é nesse sentido de fazer a relação do vagalume (bicho) com as pessoas. Eles não conseguem viver nas cidades porque tem essa competição da luz deles com a artificial e isso impede deles reproduzirem. Com as artificialidades que nos submetemos, fazem com que a nossa luz seja esvanecida também. O ideal é que, por um momento, as pessoas se libertem dessas futilidades e comecem a pensar no seu eu, no ser que é a sua própria luz”, finaliza Fernanda Miller.

Amor pela arte

“Em Pasárgada tem tudo/ É outra civilização/ Tem um processo seguro/ De impedir a concepção/ Tem telefone automático/ Tem alcalóide à vontade/ Tem prostitutas bonitas/ Para a gente namorar/ E quando eu estiver mais triste/ Mas triste de não ter jeito/ Quando de noite me der/ Vontade de me matar/ — Lá sou amigo do rei —/ Terei a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei/ Vou-me embora pra Pasárgada”.

Esse é o poema que serviu de inspiração para o grupo, “Vou-me embora pra Pasárgada” de Manoel Bandeira, um célebre poeta e crítico literário brasileiro. Segundo os componentes, Pasárgada é um lugar de refúgio, e esse abrigo para eles é a dança. O grupo propõe a liberdade para um lugar melhor, mais humano, feliz e dos sonhos alcançáveis, possibilitado somente por meio da dança e da cultura.

Para Bárbara Nepomuceno, uma das bailarinas, o grupo é uma mistura de poesia e dança que só é possível por causa dos laços de amizade. É por isso que a logotipo do grupo é um bailarino sem gênero envolto por fitas e laços, os quais representam a amizade, a dança e, principalmente, o amor entre os integrantes.

 

“Vagalumes Urbanos” convida a perceber as virtudes e a essência de tudo

 

 

Grupo de Danças Pasárgada

Imperatriz – Maranhão

Contato: (99) 98148-8186

E-mail: grupopasargada@gmail.com

Insta: @grupopasargada

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