Jogos eletrônicos são muito mais que entretenimento

Jogos eletrônicos são muito mais que entretenimento

Por Jaysa Karla

Videogame hoje é até uma ferramenta de trabalho

Videogame hoje é mais que lazer, é também ferramenta de trabalho

Quem pensa que videogame é brincadeira de criança, ou que pegar o console e sentar na frente da TV é perda de tempo, está muito enganado! Os jogos estão ganhando mais espaço no dia a dia das pessoas, tanto que, hoje, há jogadores profissionais e curso superior na área. Com treinamentos intensos, os jogadores que se dedicam à profissão conseguem faturar excelentes salários, comparados – inclusive – ao de executivos de alto-padrão.

Para se ter uma melhor noção, segundo a Newzoo, empresa de estudos de mercado focada em jogos digitais, em 2011, o Brasil era o 4° país que possuía mais jogadores de videogames e, é o 11° que mais consome jogos, segundo pesquisa feita em 2016 pela mesma empresa. Outra curiosidade foi apontada por uma pesquisa feita pela Game Brasil, em 2016, que indicou que 52,6% do público de jogadores era composto por mulheres. Nesse mesmo ano, o brasileiro Marcelo “Coldzera” David, de apenas 21 anos, foi eleito o melhor jogador de videogame do mundo. Ou seja, há muita diversificação nos grupos de jogadores.

Na Coréia do Sul, a profissão de “gamers”, como são chamados esses jogadores assíduos, é uma febre. Isso porque o país é conhecido por ser um dos melhores para a prática de esportes eletrônicos e digitais, com torneios milionários de grande repercussão. Mas para conquistar esse nível, tem que se esforçar bastante. Há jogadores que treinam entre 10 a 12 horas por dia. Para compensar tanto tempo investido, há prêmios de campeonatos que chegam a 250 mil dólares, quase 1 milhão de reais, fora os patrocínios.

Rychardson Pinheiro promove encontro de gamers em Imperatriz

Rychardson Pinheiro promove encontro de gamers em Imperatriz

Em Imperatriz, o advogado e gerente de uma loja de jogos, Rychardson Pinheiro, 24 anos, já participou de alguns campeonatos de games e organiza esse tipo de competição na cidade há dois anos, em um evento chamado “AnimaCon”. Motivado a conhecer outras pessoas e lhes proporcionar alegria, o advogado conta um dos momentos mais marcantes em um campeonato: “Havia duas meninas. Uma jogava Naruto e a outra futebol. Quando elas sentaram na cadeira para jogar, a galera foi ao delírio, pois há poucas meninas que jogam na cidade e disputando, então, o numero cai bastante. Sei que umas 100 pessoas foram apoiar essas meninas aos gritos e ‘zoações’, e o mais interessante é que os adversários perdiam as partidas mais por causa do psicológico.”

Wallace Junior, 24 anos, acadêmico de Direito, tem acesso ao mundo dos games desde os dois anos de idade. O acadêmico nunca participou de um campeonato profissional, mas os de garagem, entre amigos, deixou boas lembranças. Com nostalgia, fala sobre seu primeiro jogo: “Meu primeiro jogo, meu mesmo, foi o Mortal Kombat 3 Ultimate. Lembro até hoje quando foi instalado o Super Nintendo em minha casa. Era no tempo que a TV era um tubão e para instalar o videogame, tinha um adaptador, que tinha que tirar a antena para colocar o cabo do videogame. Lembro que os vizinhos de 17 à 20 anos estavam aqui e eu com 6, na época, fiquei maravilhado!” Conta.

O que talvez não se discuta é que essa diversão traz benefícios para a saúde, enriquece o conhecimento (pois há pessoas que aprendem outras línguas) e estimulam o raciocínio. Há pesquisas que afirmam isso, como o estudo feito em 2013, em Berlim, pelo Max Planck Institute for Human Development, da Charité University Medicine St.Hedwig-Krankenhaus. A pesquisa foi feita com base numa análise realizada no período de dois meses com dois grupos: um que jogava todo dia por 30 minutos, enquanto o outro não jogava no mesmo período. Ao final, notou-se que houve um aumento na massa cinzenta do cérebro, que é a parte que os cientistas acreditam que gerenciam as informações de visão, audição e tato, provando que os jogos podem desenvolve regiões cerebrais específicas.

Professor Thiago Falcão escreveu tese sobre games

Professor Thiago Falcão escreveu tese sobre games

Na verdade, os jogos têm sido objeto de investigação não só na área da saúde. A paixão pelos jogos é tanta que o professor de Jornalismo, Thiago Falcão, por exemplo, estuda sobre games desde sua graduação e hoje é doutor no assunto. O que o motivou a pesquisar sobre o tema – que, para ele, é ‘algo tão natural e tão importante quanto ler’ – foi o seu orientador de monografia. “Quem me levou a estudar videogames, oficialmente, foi um professor meu – meu orientador de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Eu era bem comprometido com estudar ficção científica, na época, queria escrever o TCC sobre isso; e ele me sugeriu que eu desse uma olhada em Second Life, que era um hit na época. Isso foi em meados de 2007. O maior desafio foi continuar, depois. A academia não era muito receptiva ao objeto, e muitas vezes eu fui recebido com olhares enviesados. Deu certo, contudo”, relata.

O videogame deixou de ser apenas um passatempo, tornou-se uma ferramenta de trabalho, pesquisa e desenvolvimento pessoal. No mundo dos jogos, não há distinção de sexo e nem idade. É permitido fazer de tudo um pouco, como disputar uma corrida de carros, lutar com seus personagens preferidos, criar estratégias para vencer inimigos. Há, hoje, até aparelhos que reconhecem dispositivos com sensores, possibilitando que os jogadores se movimentem junto com o personagem e use o corpo para disputar corridas de atletismo, para dançar, entre outras atividades.

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