Outubro Rosa: prevenção é a melhor opção

Outubro Rosa: prevenção é a melhor opção

Texto e Imagens: Sol Lopes e Lindiane Sousa

 

O “Outubro Rosa” possui significado especial não só nacionalmente, mas também mundialmente. O evento aconteceu, pela primeira vez, nos Estados Unidos, na década de 1980, com ações isoladas em vários estados. O nome  remete à cor do laço rosa que simboliza a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, de empresas e das entidades.

Com base nisso, no Brasil, o mês de conscientização sobre a prevenção do câncer de mama, foi implantado na década de 90, com o objetivo de alertar as mulheres a conhecerem e a cuidarem do seu corpo, pois, com um diagnóstico precoce, conseguem 95% de chance de cura. A importância da atenção para o tratamento preciso se deve sobretudo porque, de acordo com o último relatório com dados de estimativa divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), há uma possibilidade de ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer para o biênio 2016-2017 no País.

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José Valmir Silva, coordenador local do Outubro Rosa

Em Imperatriz, a campanha só chegou em 2007, como explica José Valmir Oliveira Silva, coordenador local do Outubro Rosa e coordenador do serviço de oncologia do NACON, do Hospital São Rafael, ainda o único do município que realiza tratamento especializado voltado para os pacientes com os vários tipos de câncer.

A implantação do atendimento especializado na cidade trouxe uma mudança muito significativa para toda a Região Tocantina, que abrange 24 cidades do entorno, pois, antes, os pacientes tinham que buscar tratamento longe, como em Teresina, São Paulo, Araguaína e São Luís. Mas, atualmente, podem fazer seu tratamento em Imperatriz, com quimioterapia, radioterapia, cirurgias, reconstituição das mamas, histerectomia e mastectomia

José Valmir Silva explica que durante o mês de outubro há uma intensificação das ações de orientação sobre a doença, levando informações aos bairros carentes, por meio de palestras e a realização de mutirão com consultas e exames gratuitos. Mas lembra também que as iniciativas de divulgação da prevenção são feitas o ano todo, nas unidades de saúde e com a organização de seminários em escolas públicas e privadas. Até porque, em Imperatriz, no momento, há uma quantidade expressiva de pacientes que desenvolveram a doença. “Aqui, na nossa unidade, já foram diagnosticado mais de mil casos de câncer, entre eles câncer de colo do útero, câncer de mamas, ou seja, foram cadastradas mais de mil pacientes com diversos tumores”, conta José Valmir.

Há mais de 200 tipos diferentes de manifestação do câncer, podendo se desenvolver em qualquer órgão do corpo, mas os que mais atingem as mulheres são: câncer de pele, de ovário, de mama e do colo do útero, sendo este último o mais frequente em Imperatriz, seguido do das mamas. “A incidência de câncer de colo de útero é muito alta na nossa região. Em média, 25% dos casos que aparecem é de câncer de colo de útero. Muito mais do que o câncer de mama. A média nacional é 18%, e, 20%, de câncer de útero. Na nossa região, é de 25% a 27%”, preocupa-se o coordenador local da Campanha.

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Ônibus Rosa itinerante facilita acesso aos exames

A campanha do Outubro Rosa esclarece que, quando a doença é descoberta no início, as chances de cura são muito grandes. É importante que as mulheres, ao perceberem qualquer alteração ou presença de nódulos em suas mamas, consultem o médico imediatamente, para realizarem alguns exames. Porém, na realidade, isso nem sempre acontece, e quando recorrem às clínicas ou aos hospitais já estão em estágio bem avançado. Esse foi justamente o caso de Cícera Lima da Silva.

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Pacientes fazem tratamento no Hospital São Rafael

A dona de casa Cícera Lima descobriu, em Goiânia, depois de muito tempo que se sentia mal fisicamente. Chegou a fazer exame de sangue, mas acho que nada grave era mostrado. Como passou muito tempo sem ir ao médico, a doença se agravou. “Passei quase dois anos sem ir ao médico, e tinha o nódulo bem aqui, no lado direito do peito. Era pequenininho, quase do tamanho de um caroço de arroz. Aí, até que foi desenvolvendo, durante o tempo que eu fiquei sem ir ao médico”, relembra.

Depois de identificado o nódulo, Cícera Lima voltou ao médico, lá mesmo na sua cidade, e foi encaminhada a fazer a biopsia. Para a tristeza dela, o resultado foi confirmado. “Logo que fiz, já não deu outra. Estava avançado. Fiquei fazendo quimioterapia durante seis meses”, conta.

Quando a doença é descoberta no início, as chances de cura são muito grandes

Atualmente, os médicos especializados tratam as vítimas de câncer de maneira humanizada, buscando dar suporte ao paciente e aos acompanhantes. No Hospital São Rafael, é possível contar com o serviço de Psicologia, Nutrição e Serviço Social. “Temos orientações aos pacientes de como eles devem se comportar diante de um término de uma quimioterapia, orientação da enfermeira após a quimioterapia em relação ao que devem e podem comer, dando todo um suporte além daquilo do ponto de vista oncológico… Um tratamento humanizado e bem diferenciados a esses pacientes”, esclarece José Valmir Silva.

Esse tipo de atenção é fundamental para confortar as vítimas e os familiares, para enfrentarem uma situação delicada e de sofrimento, pois, como diz Cícera Lima, “é muito doloroso a gente ter essa notícia, que vai tirar uma mama, que não vai ficar normal. E perder o cabelo também. É muito terrível, eu não desejo para nenhuma pessoa passar por aquele processo”. O serviço médico humanizado, ao mesmo tempo, fortalece e dá uma esperança. “Um dia quando pretendia ir à igreja, e, olhando as roupas no guarda-roupa, fiquei escolhendo umas blusas grossas e folgadas, mas não achava uma que desse certo. Aí, me veio assim, tipo, um desespero. Eu chorei, chorei, chorei, mas acabei escolhendo a roupa e indo à igreja. Assim, não é uma coisa normal esteticamente, é feio, mas é como eu digo – o importante é a vida, e não viver com dor”.

“(…) é muito doloroso a gente ter essa notícia, que vai tirar uma mama, que não vai ficar normal. E perder o cabelo também. É muito terrível, eu não desejo para nenhuma pessoa passar por aquele processo”. (Cícera Lima da Silva)

A campanha do Outubro Rosa, em Imperatriz, acontece principalmente sob a coordenação do Hospital São Rafael, mas conta com vários apoiadores: a Ampare, a Avon, a Armazém Paraíba, o Top-Med, as clínicas Diag Centro, as lojas Ciclista Bodim e a Sorveteria 2 Irmãos. Além das atividades já realizadas, seguem duas outras que encerrarão a Campanha.

Programação final da Campanha Outubro Rosa em Imperatriz

No dia 23.10.16, acontece a caminhada do Outubro Rosa. Vai sair da Praça de Fátima, às 07h. A inscrição custa R$3, com direito a um kit com a camiseta Outubro Rosa. É um valor simbólico destinado a ajudar os pacientes. No final da caminhada, vai ter distribuição de sorvete, cestas básicas e sorteios.

No dia 24.10.16, durante todo dia, o Ônibus Rosa estará estacionado na Facimp, realizando exames de prevenção do câncer do colo do útero (PCCU) e mamografia. É necessário levar o cartão do SUS.

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