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Procura por filmes nacionais é escassa nos cinemas de Imperatriz

Procura por filmes nacionais é escassa nos cinemas de Imperatriz

Por Matheus Lopes e Júlio Araújo

 

Dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE) apontam melhorias no aumento da distribuição de filmes nacionais nos cinemas brasileiros. Com as metas atingidas, infelizmente essa realidade ainda não é vigorosa nos cinemas imperatrizenses. E um dos motivos é a demanda por filmes – nacionais e alternativos aos norte-americanos – que é rara na cidade, sobretudo por razões do desconhecimento do público de que é possível fazer uma solicitação.

Com a comodidade da internet e facilidade na procura por conteúdos de entretenimento, em algum momento após ter visto trailers de filmes incríveis com uma sinopse prometedora, alguém já deve ter se questionado sobre os motivos do filme tão esperado não ser exibido nos cinemas de Imperatriz.

Os clientes desconhecem que podem decidir sobre quais filmes serão exibidos no cinema. É preciso revelar interesse.

Na realidade, existem vários fatores que podem dificultar o lançamento de um filme nos cartazes dos cinemas. No caso do Cinesystem, o principal deles é a burocracia, pois – por se tratar de uma rede – existe um departamento único que seleciona os filmes que serão exibidos e por isso tem contato direto com as distribuidoras. Também há algumas distribuidoras, como a Disney, que têm poder financeiro suficiente para escolher a quantidade de salas e o tempo de permanência de seus filmes nos cartazes do cinema.

Outro motivo é o pouco espaço para exibição das obras nacionais que são substituídas, em sua maioria, por filmes de produtoras norte-americanas. “Em imperatriz, quase não há cenário para exibição de pequenas produções nacionais ou filmes alternativos. O mercado do cinema é bem preciso nessa parte. As grandes produções tomam de conta do grande mercado cinematográfico deixando outras produções carentes de distribuição à margem desse mercado”, conta um dos colaboradores do projeto Cinema no Teatro, Fernando Leão, de 26 anos.

O projeto Cinema no Teatro surgiu como uma possibilidade de promover o consumo e a divulgação de títulos nacionais. “Projetos como Cinema no Teatro acentuam a exibição dessas produções justamente para o telespectador ter mais contato com essas produções”, diz Fernando.

As ações publicitárias de divulgação dos filmes, em boa parte, são as responsáveis por mobilizar o público a ir ao cinema. Pelo fato das maiores produtoras possuírem poder financeiro para investirem em seu merchandising massivamente, consequentemente elas atraem os olhos e o interesse das pessoas que irão consumir determinada obra.

“Falta uma divulgação. Às vezes as produtoras brasileiras fazem um filme bacana, um filme nacional, mas é pouco divulgado. Agora os filmes que vêm de fora, tipo Homem Aranha; esses filmes da Marvel… Ou dessas grandes indústrias do cinema norte-americano… Eles fazem muita propaganda. Eles divulgam bastante, investem em propaganda e investem também em estrutura. Já os [filmes] daqui não. Então, quem não é visto não é lembrado”, explica o empresário Teófilo Costa, de 30 anos, que também é cliente e frequenta os cinemas da cidade.

Os clientes, por sua vez, desconhecem que possuem também a capacidade de decisão sobre quais filmes serão exibidos no cinema. Mas para que isso ocorra, seria preciso uma mobilização capaz de mostrar o interesse do público sobre determinado título, ou seja, quanto maior a procura, mais chances têm de um filme ser encaixado na programação de um cinema se a agenda de exibição estiver flexível. Em alguns casos, é necessária essa manifestação às distribuidoras, para que estas firmem um contrato com o cinema para a exibição do filme. “Não há como exigir, os cinemas cumprem agenda de distribuição, e – para que isso seja mudado – há uma certa burocracia”, comenta Fernando.

Com relação aos filmes nacionais, algumas distribuidoras brasileiras não possuem capacidade financeira para despachar filmes a todos os cinemas do País, pois terminam por possuir um limite de cópias e que até já possuem “contratos” fixos com algumas redes de cinemas, as quais logo compram os direitos de exibição reservados àquele título.

Para esclarecer melhor essa situação, o Imperatriz Notícias fez uma busca pelo número de filmes nacionais lançados no segundo semestre de 2017, tomando como base a página no Facebook do cinema CineStar que divulga fixamente as obras em cartaz, e as obras divulgadas no site da ANCINE. Apenas quatro obras foram exibidas no cinema dos 88 filmes que foram lançados. Quanto ao Cinesystem – que por não ter disponível nas redes sociais e site os filmes que já estiveram em cartaz – não foi possível mensurar o número de títulos nacionais em cartaz no segundo semestre. Realizamos o contato com ambos os cinemas da cidade para tratar do assunto e não obtivemos resposta.

Teófilo alega também que o público dá pouco valor às obras brasileiras. Na perspectiva dele, “poucas pessoas se interessam pelos filmes nacionais devido à falta de investimento. Não tem estrutura. São os mesmos atores. Não investem. Filmes nacionais, tipo Carandiru, O Alto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro, Tropa de Elite, alguns assim chamam atenção. Mas de cem por cento, cinco por cento dos filmes nacionais são aproveitáveis. Mas filmes nacionais as pessoas não dão muito valor”, diz.

Gradativamente as oportunidades de financiamento às produções de obras brasileiras, muitas delas dispostas no próprio site da ANCINE, vêm melhorando após ações que também estimulam na distribuição e exibição desses filmes.

Em uma matéria divulgada pela ANCINE em abril de 2017, a agência informou que com essas ações voltadas aos filmes com conteúdo nacional, 129 filmes foram lançados nos cinemas brasileiros em 2015. Um crescimento de 72% em relação ao ano de 2010. De acordo com o órgão, em 2016 foram lançados 143 longas brasileiros e a meta para 2020 é alcançar 170 lançamentos. No ano de 2010, apenas 64 filmes brasileiros foram distribuídos aos cinemas pelas distribuidoras brasileiras. Já no ano de 2015 esse número quase dobrou.

               

Cota de Tela

Anualmente, é fixado por meio de decreto uma cota que estabelece a quantidade de dias de exibição e o número de títulos nacionais que devem ser exibidos. Esse mecanismo regulatório tem por objetivo promover a diversidade de filmes e dar espaço aos filmes brasileiros diante da massiva quantidade de títulos estrangeiros no cinema.

No final do ano passado foi publicado no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 2017, a Cota de Tela para o ano de 2018, por meio do Decreto Nº 9.256. Em média, nos complexos de uma sala deverão ser exibidos filmes brasileiros por no mínimo 28 dias no ano. A variação de títulos terá de aumentar até chegar em 24 no caso dos complexos que possuem a partir de 16 salas.

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