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Ambulantes da Beira Rio reclamam da baixa nas vendas, após reforma

Ambulantes da Beira Rio reclamam da baixa nas vendas, após reforma

Os vendedores reclamam da falta de organização na distribuição dos espaços e das condições precárias de limpeza e conforto

 

Texto e Foto por Lorenna Silva e Thaise Torres

 

Vendedores esperavam que tivessem mais organização e lucro, após o novo ambiente

Após as reformas realizadas na Beira rio, a expectativa dos vendedores ambulantes era de que houvesse um aumento considerável nas vendas de comida e bebida. No entanto, a realidade é bastante diferente do que todos eles imaginavam.

 

Em período de veraneio, a economia e o fluxo de pessoas se acentuam, e isso é sentido pelos vendedores locais. Porém, houve um decréscimo nas vendas. A principal reclamação dos ambulantes é a falta de organização e de espaço para colocar os carrinhos. Isso gera inúmeras discussões e problemas entre eles. Ao não haver uma demarcação dos lugares onde cada um deve ficar, alguns acabam usando o lugar dos outros ou ultrapassam os limites estabelecidos “de boca” entre eles.

 

Além disso, durante o período de chuva, a falta de um sistema de escoamento no estacionamento onde os ambulantes foram alocados causa desconforto e revolta. Entre as mesas, cadeiras e os equipamentos de trabalho, que muitos não podem (ou não têm tempo de) retirar do local, os ambulantes se veem obrigados a permanecer. O acúmulo de água, consequentemente, traz danos a saúde. Alguns trabalhadores dizem que adquiriram doenças de pele, por causa do lixo e a água acumulada.

 

Mesmo sabendo que a beira rio é considerada o principal cartão postal de Imperatriz, além de ser um lugar direcionado para o lazer, esse descaso com a situação dos ambulantes não é resolvido e se torna um problema para a economia local. Condições de trabalho ruins, desencanto com a nova Beira rio por parte dos vendedores, entre outras coisas, reflete também no afastamento de muitas pessoas e enfraquece as vendas.

 

O local

 

O motivo de todo o problema é o local onde os vendedores foram colocados. Apesar de existir o espaço que seria a praça de alimentação da Beira rio, com acesso à luz elétrica e espaço para os vendedores, a Seplu e outros órgãos encarregados de organizar a situação dos ambulantes não liberaram o uso do espaço.

 

De acordo com informações retiradas do site da prefeitura, não existe um ambiente adequado para que os trabalhadores possam vender seus produtos. Em contrapartida, no projeto elaborado pelo Governo do Estado, existe um espaço reservado para os quiosques que ficariam sob a responsabilidade da prefeitura. A solução apresentada pela prefeitura foi dispor os carrinhos no estacionamento localizado na primeira parte da beira rio. No entanto, o local não foi devidamente organizado, o que causou problemas entre os vendedores.

 

 

Entre outros problemas mencionados, está a falta de banheiros para os vendedores. O único banheiro que foi disponibilizado foi conquistado com muita luta e insistência. Além disso, o acesso à energia é escasso. Muitos fazem instalações improvisadas para conseguir eletricidade. Enquanto isso, no local que deveria ser a praça de alimentação, existem duas caixas grandes de tomadas.

 

De acordo com os ambulantes entrevistados, foram realizadas diversas reuniões com os órgãos responsáveis, mas não tiveram muito efeito para melhorar a situação. Em vez de apresentar soluções e realizá-las, os vendedores foram esquecidos. Os quiosques padronizados e organizados, que deveriam estar próximos ao primeiro letreiro, nunca saíram do papel.

Além da falta de espaço adequado, a falta de higiene é uma preocupação legítima

 

 

A queda nos lucros

 

Os clientes também reclamam da acomodação inadequada

Para Maria de Jesus, o lucro recebido em sua barraca de milho despencou consideravelmente após a reforma. Segundo ela, seu ponto de referência utilizado há mais de 30 anos no local não é mais uma opção para se acomodar. “Minhas vendas caíram e muito. Tenho muita luta pra vender uma espiga de milho. Os meus clientes exigem ficar à vontade e, aqui fica muito embutido, não tenho condições de colocar mesas. Só essa panela.”, diz a vendedora, mostrando a ferramenta utilizada para cozinhar o alimento oferecido.

 

Outra questão observada é que, em épocas festivas da cidade, a Beira-Rio poderia ser o ponto de encontro principal. Por tradição, o local deveria receber atrações de festas religiosas, culturais e comemorações pelo aniversário de Imperatriz. Para a ambulante local Marizete Pereira, as festividades pelo 166° ano da cidade merecem manter o costume anual e serem celebradas no ponto, como, por exemplo, “o aniversário deveria ser feito nesta obra prima construída, não na Expoimp como prometem. Eles já têm o público deles, nós poderíamos ter prioridade por trabalharmos aqui”, conclui. Contudo, a esperança por melhorias econômicas se mantém junto à organização planejada e prometida desde a inauguração.

 

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