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Entre sons e ritmos: a musicoterapia como aliada no desenvolvimento infantil

Entre sons e ritmos: a musicoterapia como aliada no desenvolvimento infantil

Técnica possibilita melhora na autoestima, coordenação motora e auxilia na prevenção e tratamento de doenças

 

Texto: Gabriel Henrique e Giuliana Piancó

Fotos: Autoral e Reprodução (ONG Música no Hospital)

 

Por meio de harmonias, melodias e ritmos, a musicoterapia utiliza de elementos sonoros como métodos de ações terapêuticas, auxiliando no tratamento de saúde e desenvolvimento de funções cognitivas de crianças e adolescentes. Em 2017, o Ministério da Saúde (MS) reconheceu a técnica como uma prática integrativa e complementar na abordagem de cuidado na rede pública de saúde.

O musicoterapeuta Marcus Vinicius explica que a utilização da esse tipo de terapia no tratamento infantil abrange três esferas de prevenção: primária, secundária e terciária, responsáveis pelo desenvolvimento da criança, ajudando, assim, na prevenção de estados de adoecimento. Além disso, quadros de melhora são percebidos também em relação ao aprendizado, à comunicação, às expressões e ao relacionamento com a família.

A musicoterapia é a utilização de intervenções musicais em um ambiente terapêutico.

“A prevenção primária ajudará na estimulação emocional e cognitiva para que a criança cresça de forma saudável, ajudando no desenvolvimento da comunicação verbal e não verbal, das percepções e das interações com o outro. Na prevenção secundária, a musicoterapia atuará para manter o estado saudável da criança, ampliando as possibilidades de estimulação. Já a prevenção terciária atua como forma de tratamento; a criança encontra-se em um estado de adoecimento onde precisa de acompanhamento para que esta venha a melhorar ou se adaptar a uma nova condição de vida”, explica Marcus.

Para a família de Ana Lúcia, 9 anos, a musicoterapia é essencial para o desenvolvimento da menina que tem Autismo. A mãe dela, Suelly Ramos, conta que a criança iniciou o tratamento aos seis anos e a melhora foi perceptível nos mínimos detalhes. “Minha filha sempre teve dificuldade em se comunicar, desde os mais simples gestos, como dizer que precisa ir ao banheiro, ou dizer palavras curtas. Através de pesquisas, descobrimos a técnica [musicoterapia]. Hoje, ela faz acompanhamento com uma profissional e tudo melhorou. Agora, minha filha é mais receptiva a conversas, interage mais com os amigos da escola, faz perguntas e se questiona também”, comenta.

Contra indicação?

De acordo com Marcus Vinicius, na musicoterapia, os profissionais buscam a história musical de cada paciente, para que o trabalho com a trilha sonora se desenvolva da melhor forma possível. “O único caso registrado onde a música é contra indicada, são nos casos de epilepsia musicogênica, condição rara, no qual se desencadeiam crises epilépticas através de estímulos musicais”, explica. O método terapêutico trabalha com crianças com microcefalia, paralisia cerebral (PC), Transtorno do Espectro Autista (TEA), entre outras. Os resultados obtidos através da técnica dependem do grau de contato da criança com a mesma.

Karine Teles, musicoterapeuta e educadora musical, esclarece que a música é uma linguagem, então – quanto mais cedo a criança entrar em contado com essa linguagem – os benefícios serão maiores. “A música enquanto tratamento terapêutico abrange o conteúdo humano, englobando a saúde como um todo”, complementa.

Sobre a técnica em Imperatriz

A “Música no Hospital”, Organização não Governamental (ONG) fundada em novembro de 2015, é uma das percursoras da temática na cidade. A iniciativa é de um grupo de jovens, que resolveu levar música para as crianças que passavam por algum tratamento de saúde no Hospital Municipal Infantil – “Socorrinho”. Hoje, a organização conta com um trabalho contínuo voltado à musicoterapia.

Equipe da ONG Música no Hospital em ação para crianças no Socorrinho.

“Assim que começamos esse projeto, eu nem conhecia o termo musicoterapia. O que pensávamos era: vamos cantar para alegrar as crianças. Isso era um hobby que fomos desenvolvendo e aprendendo mais sobre… E, então, descobrimos a musicoterapia”, relembra o vice-presidente da ONG, Watson Mateus.

Watson explica que, além de ações específicas envolvendo solidariedade, as atividades relacionadas à musicoterapia acontecem semanalmente, aos domingos, no Socorrinho. “Se você já foi no socorrinho, consegue perceber um ambiente hostil, um clima ruim, desanimado. Quando chegamos lá, procuramos mudar isso, humanizar o local. Não cantamos só para as crianças, mas para os pais e enfermeiros que cuidam delas”.

O resultado é satisfatório: “Geralmente após as ações as mães nos procuram falando que estavam pra baixo, tristes, e nós trouxemos um pouco mais de esperança para eles”, completa Watson.

Trabalho para a comunidade

A partir do segundo semestre de 2018, a Música no Hospital irá desenvolver atendimentos de musicoterapia na sede da ONG, para o tratamento de crianças com TEA, portadoras de Síndrome de Down, entre outras. A ação visa ajudar principalmente as famílias que não podem arcar com o tratamento da criança.

Para mais informações sobre a ação, basta seguir os perfis da ONG nas redes sociais: Facebook, Instagram.

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