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Fotógrafos por profissão, imperatrizenses por paixão

Fotógrafos por profissão, imperatrizenses por paixão

Exemplo de foto de Wescley Aquino: música transformada em registro fotográfico

Texto: Kaio Henrique Nascimento Rodrigues

Foto: Wescley Aquino

Localizada às margens do rio Tocantins, divisa dos estados Maranhão e Tocantins, Imperatriz é considerada ponto de passagem para muitos brasileiros. É na beira de um cenário tipicamente brasileiro, com sol, praia e muita alegria, que os fotógrafos Cleverson Daniel Henrique Sena e Wescley Alves de Aquino, fizeram morada. A cidade consegue cativar diferentes perspectivas artísticas que influenciam no seu olhar fotográfico.

Cleverson Daniel Henrique Sena adota o pseudônimo apenas de Daniel Sena. Com 35 anos e nascido em Taubaté, no estado de São Paulo, atualmente é estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Já Wescley Alves de Aquino, 30 anos, nascido em Campina Grande, Paraíba, é farmacêutico e também reside atualmente em Imperatriz. Ambos amam fazer arte e construíram uma história com a fotografia dentro do cenário imperatrizense, a partir das oportunidades que surgiram.

Wescley chegou à cidade com cerca de dois anos de idade, e se considera natural do estado. “Me considero maranhense por que vim para cá há 28 anos. Então, sou maranhense de corpo, alma e coração.” Já Daniel, chegou aqui aos 9 anos de idade e, na primeira vez, passou apenas um curto período de tempo. Voltou para Taubaté por um ano, mas logo retornou. Ele também se considera um imperatrizense. “Taubaté, é minha cidade de origem, mas a minha terra, que me formou realmente, é Imperatriz. Eu tenho um apego por essa cidade muito grande. Cidade massa.”

A cena artística sempre esteve presente na vida dos dois protagonistas. Influenciado pelo audiovisual por causa do seu pai, Daniel desde criança é instigado por máquinas fotográficas e filmadoras. “Meu pai adorava objetos de filmagens, e gostava do lance de edição. E eu, desde os seis anos, me lembro de ter contato com filmadoras”, relata. Aquino, por sua vez, diz ter grandes influências das artes cênicas. “Já fiz curso de teatro e faço parte da equipe do Pasárgada, um grupo de dança da cidade.” Essa influência foi o que transformou o seu olhar fotográfico.

O Encontro com a fotografia

Se encontrar no universo da fotografia, é sempre singular para todo fotografo. Os primeiros passos geralmente provém de um incentivo, por meio de diversas formas, seja ela de um colega, um profissional, ou até mesmo passando por situações significativas, que instiguem o incentivo na fotografia.

Para Aquino, o grupo de dança foi o que lhe motivo a adentrar e se profissionalizar na carreira. “A fotografia despertou em mim quando surgiu o grupo de dança, porque eu me forcei a trabalhar mais nessa área, por admirá-la. Aí, do grupo, surgiu a primeira oportunidade de fazer ensaio externo, com a temática de 15 anos”, declara.  Outra inspiração veio de uma amiga fotógrafa. “Uma amiga minha, Amanda Brainde, já fazia fotografia de dança. Ela foi uma das minhas inspirações, sempre me deu várias dicas e eu a acompanhava nos ensaio que fazia de ballet.”

Enquanto isso, Sena se encontrava na sua atual graduação. O seu primeiro contato se deu por uma colega de faculdade. “Eu entrei na universidade e acabei encontrando uma pessoa. A Rosana Barros foi que me apresentou a fotografia e quem teve a confiança de colocar uma máquina na minha mão. E começou a me moldar, despertando uma coisa que eu não sabia que tinha. Não imaginava que eu poderia ser fotógrafo, e a faculdade me direcionando para parte de fotografia e acabei me guiando”. Daniel confirma, convicto, que Rosana e o seu pai foram pilares para a sua profissionalização.

Característica Artística

A cidade cresce no cenário fotográfico. Com grande destaque para a área de registro de eventos e formaturas, é possível encontrar com ajuda do Google, uma variedade de profissionais, já que a segmentação desse serviço é numerosa. Porém, o trabalho mais artístico não é tão popular.

“A fotografia acontece a todo o momento. Eu ando com a máquina o tempo todo, não sei a hora que eu vou utilizar”, relata Daniel. Apaixonado por registros do cotidiano, o que move o fotógrafo são as vivencias da rua. Ele conclui que não se sente tão confortável, porém, ao realizar ensaios particulares. “É diferente. Ali na rua eu sou livre para criar. E eu ir fotografar uma pessoa que quer parecer muito bonita e ser exaltada é difícil.” Daniel admite que esse não é um dos seus pontos fortes.

É então que se encontra uma característica igualitária para esses dois personagens que fazem arte. Aquino também relata que não se identifica com a fotografia posada, muito característica do ramo da moda. “Eu odeio fotos posadas. Assim, respeito quem faz. Mas eu gosto daquela foto que é como se a pessoa estivesse sozinha naquele ambiente, e que não soubesse que estava sendo fotografada”. A arte, nesse momento, está ligada ao emocional, deixando de lado elementos mais formais de uma fotografia, que podem ser até caracterizadas como retrô, com o objetivo de guardar lembranças de familiares.

Projetos

Com esse olhar voltado para as manifestações culturais, Sena, em companhia de sua colega Rosana, criaram a ideia do Imperatriz Fotos, movimento fotográfico no qual retratavam o habitual, que era disponibilizado por meio online. “À medida que eu ia aprendendo, fui treinando muito, fazendo foto. E passou-se um tempo e o Imperatriz Fotos, foi sendo alimentado diariamente. Com uma matéria, seja ela poética, de uma folha caindo no chão, ou uma manifestação ou um evento que ocorria na praça.”

Sucedeu-se então uma visibilidade, por trabalharem em um formato para o coletivo. “As pessoas não cobriam o carnaval. A gente começou a ir ao carnaval e fotografar gratuitamente. Aquilo aparecendo no site acabava fazendo sucesso”, lembra Daniel. Esse trabalho com o tempo, acabou perdendo a sua periodicidade, o que levou ao fim do projeto. “Hoje o site está fora do ar, mas ainda existe a marca, um pouco abandonada”, explica o fotógrafo.

No momento, Aquino inicia um novo projeto. A partir de uma conversa com amigos, nasceu a ideia de agregar a fotografia e a música, justamente quando foi questionado: “Por que não fotografar música?” A iniciativa é representar canções por meio dos registros fotográficos.  Ao iniciar o projeto, o fotógrafo não tinha uma temática em mente. Apesar disso, acabou focando na questão da resistência LGBT. “Na primeira, vez que eu pensei no projeto, me veio o Liniker, e essa música Flutua, porque eu sempre escutava e gostava”, explica.

A repercussão do projeto agregou uma dúvida com relação à receptividade das pessoas. Ao tratar um tema que ainda é visto como delicado por uma parcela da sociedade, Wescley teve receio de como sucederia, porém não deixou se abalar. “Quando eu fiz, eu tive receio inicial,: ‘Como será que o povo vai ser essa fotografia?’ Eu percebi que caiu o número de seguidores. Mas assim, para mim não tem importância, artista é isso. Você tem que fazer o que você gosta, o que você sente, o que naquele momento é verdadeiro para você!.”

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