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Vendem arte, doam cultura: Artesãos de rua contam como é viver em Imperatriz

Vendem arte, doam cultura: Artesãos de rua contam como é viver em Imperatriz

Franklin Alves trabalha há 20 anos com artesanato e tatuagem de henna

Texto e foto: Ellen Monteiro

Em Imperatriz é comum ver hippies vendendo sua arte em praças, esquinas movimentadas e no Calçadão, centro de compras localizado no centro da cidade. Emtza é de São Paulo e já viajou o Brasil todo. Ela está aqui há mais de um mês e conta que gosta da população. Tem dois filhos pequenos e vende pulseiras, cordões e brincos de produção própria. “O pessoal daqui é bem hospitaleiro, tratam meus filhos bem e eu acho isso bacana”, conta.

Os hippies surgiram na década de 1960, de certa forma inspirados pela geração anterior, a “Beat Generation” ou, Geração Beat, movimento literário que teve sua origem nos EUA em meados dos anos 1950 e que mostrou de forma nítida o descontentamento da juventude quando um grupo de jovens começou a lutar contra o padrão literário imposto naquela época. Esses jovens tinham como objetivo ampliar seus olhares sobre o mundo no sentido literário, artístico e musical, muitas vezes com o uso de álcool, drogas e sexo em grupo.  Os hippies traziam ideias e questionamentos parecidos aos dos Beatniks, como a negação dos valores tradicionais da burguesia estadunidense e o desapego material, mas seu movimento teve muito mais repercussão mundial.

Em uma época em que havia pouca tecnologia ao alcance, os hippies conseguiram mobilizar uma grande parcela de pessoas, se juntando a outras forças manifestantes, como o movimento negro, fomentando a discussão de questões políticas e sociais e incentivando a sociedade a formar opiniões diferentes das propagadas pelo governo. Muitas pessoas se uniram e lutaram pela ampliação dos direitos civis e pelo fim das guerras que aconteciam naquele tempo, sendo a do Vietnam a mais emblemática.

Viajante

Há mais de dez anos vendendo sua arte, André Rodrigues Bezerra, 38, natural de Imperatriz, conta que viaja muito e percebe que consegue comercializar melhor em outras cidades, já que, em sua opinião, ainda há muito preconceito por parte da população imperatrizense. “Eu sou acostumado mais vender pra fora, porque eu ganho mais que aqui. Logo, aqui tem muita concorrência. Os camelôs, por exemplo, não têm a mesma matéria prima que a gente usa, mas sempre têm mais variedade. Compram feitos e tal”, argumenta Bezerra. Além de vender artesanato de sua autoria, André também faz tatuagem de henna e possui um catálogo bem variado.

No Brasil, o Tropicalismo ou Tropicália, como era chamado, foi o movimento que mais se aproximou do movimento hippie. Nascido no final dos anos 1960, influenciado por artistas da vanguarda e mesclando manifestações tradicionais que já existiam na cultura brasileira às novas estéticas radicais. Mesmo tendo objetivos sociais e políticos, o principal intuito era comportamental e teve grande repercussão na época da ditadura militar. Nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé manifestaram por meio da música, que era o principal recurso artístico usado.

Algumas características foram deixadas pelo movimento hippie e estão presentes no dia a dia, tais como: música, cinema e artesanatos. Os hippies tem o costume de fabricar seus próprios objetos, divulgam por meio das suas obras de arte a suas culturas e ideologias de vida.

Franklin Alves, artesão de rua, como gosta de ser chamado, vende suas produções na Praça Mané Garrincha. Imperatrizense, trabalha há mais de 20 anos com artesanato e tatuagem de henna. Ele critica a falta de políticas públicas para os artistas na cidade: “A cultura aqui em Imperatriz é um jogo de cartas marcadas, os verdadeiros artistas mesmo são marginalizados”, ressalta Alves.

O artista critica bastante a discriminação que existe em Imperatriz, defendendo que todos os seres humanos são iguais, na sua concepção. “Acontece uma série de discriminações com todas as minorias. Discriminam negro, índio e isso não pode acontecer, somos todos iguais. Porque a gente é da terra, a gente não é brasileiro, nem americano, alemão, argentino. O ser humano é da terra, não tem disso”, explica.

O artesão afirma que o seu objetivo não é vender muito, mas levar cultura e arte às pessoas. Ele explica que às vezes presenteia e que não tem a ver com dinheiro, mas a ideia central é mostrar sua ideologia por meio dos seus colares, pulseiras e filtros dos sonhos.

Os hippies da cidade possuem uma comunidade localizada próxima à Praia do Cacau, onde mantém seis casas e várias pessoas moram juntas. Franklin é um dos moradores e afirma que lá é muito calmo e que todos se comunicam de forma amigável, fazem suas artes e vivem bem.

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